Família vai processar o Estado
Voltando a tocar a vida depois de dias turbulentos, a família de Daniela Aparecida Dias da Silva espera conseguir, por meio de uma batalha judicial contra o Estado, uma indenização por todos os danos morais pelos quais passam desde o dia em que o sítio onde a família mora e trabalha virou palco de um tiroteio entre policiais e bandidos.
Informada pela imprensa de que a bala que atingiu a sua filha na cabeça foi disparada pela arma de um policial militar, a mãe de Daniela, Maria das Graças Dias da Silva disse que já esperava por essa conclusão da perícia. ''Não tinha como o tiro ter sido disparado pelos homens que entraram aqui (no sítio) fugindo da polícia devido à posição em que eles se encontravam. Os policiais é que estavam atirando em direção à nossa casa'', explicou.
Ainda indignada com toda a situação de violência pela qual passou, Maria fez relatos de fatos que, para ela, evidenciam um verdeiro despreparo dos PMs. ''Mesmo vendo a minha filha baleada, eles (os PMs) me impediram de socorrê-la. Um deles chegou a me agredir. Chutaram também a minha filhinha caçula, de menos de dois anos. Além de tudo, prenderam meu marido dizendo que ele tinha atirado contra a própria filha'', recordou.
Segundo a dona de casa, todos esses atos de truculência dos policiais é que a motivam a mover uma ação indenizatória contra o Estado. ''Entendo que acidentes acontecem, mas nada justifica tudo o que fizeram conosco. Dos quatro policiais que chegaram na primeira viatura, dois estavam mais centrados, mas os outros dois estavam completamente agressivos'', relatou.
No entanto, ela fez questão de dizer que a ação de um outro policial que chegou ao local do crime pouco depois do tiroteio foi muito importante para que a sua filha ainda esteja viva. ''Ele foi até a Daniela, que estava caída, e, quando tirou o cabelo do rosto dela, comentou que a minha menina é muito parecida com a filha dele. Emocionado, ele a colocou na viatura e a levou para o hospital. Foi um verdadeiro anjo. É uma pena que todos os policiais não sejam assim''.
Por sua vez, Daniela aguarda a realização de uma cirurgia, que deve acontecer nos próximos dias. A menina está feliz por ter se salvado e triste por estar longe do convívio com os amiguinhos da escola. Ela não vai poder voltar à escola em 2008. Um monte de cartas que os colegas escreveram já foram lidas e relidas pela garota e ajudam a superar a saudade.
De acordo com os advogados da família, Guilherme Espiga e Leonardo Verri, após a conclusão dos inquéritos que estão sendo feitos pela própria PM e pela Polícia Civil, será dada a entrada no processo judicial. ''Como o Estado é parte na ação, obrigatoriamente ela chegará à segunda instância. Para sair a sentença final deve demorar em torno de dois anos'', diz Espiga. A primeira instância será julgada em Ibiporã, pois o sítio onde mora a família fica, oficialmente, nesse município.
Enquanto isso, Daniela agradece àqueles que rezaram por ela. ''Muito obrigado a todos''. (Wilhan santin)





