Curitiba - A troca de prontuários de duas pacientes no Hospital de Ponta Grossa vai parar na Justiça. A família de Maria Ivone Gondin, 70 anos, dada como morta no dia 29 de janeiro, pretende acionar os funcionários do hospital por descaso e falta de consideração.
Maria Ivone deu entrada no hospital no dia 27 com hemorragia estomacal. Enquanto aguardava uma vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a paciente ficou junto com uma outra mulher, de nome Irene Machado Beraldo, de 85 anos. As duas apresentavam o mesmo quadro clínico, segundo informações do hospital.
Elas foram levadas depois para uma outra ala. Foi nessa hora, segundo o diretor de atenção à saúde Amilcar Ruani, que a troca aconteceu. ''Os funcionários devem ter trocado as papeletas com os nomes na hora de mudarem as duas'', informou. Elas tiveram a mesma prescrição médica, o que evitou erro de dosagem de remédios.
A confusão se agravou quando as duas foram encaminhadas para a UTI do Hospital Bom Jesus. Chegando no local, Irene (com o nome de Maria Ivone) teve uma parada cardiorrespiratória e morreu. A família errada foi avisada. ''Só percebemos que não era a nossa mãe na hora de velar o corpo'', contou Arlete. A princípio, ela achou que se tratava de troca de cadáveres.
''Depois descobri que duas mulheres idosas haviam ido no mesmo dia para a UTI do Bom Jesus. Praticamente invadi o local para ver se encontrava minha mãe. E encontrei'', relatou a dona de casa. ''Fiquei muito emocionada porque ela estava viva mas irada pelo trabalho que tive para encontrá-la'', disse.
Ruani afastou ontem os quatro funcionários que estavam no turno e abriu uma sindicância para apurar as responsabilidades. ''Peço desculpas pelo ocorrido mas foi um erro humano. Não houve dolo ou crime. Não foi intencional'' O diretor reforçou que o hospital tem dez anos e atende mensalmente 6 mil pessoas. ''Isso nunca aconteceu aqui antes.''
A família de Irene não foi encontrada para comentar o incidente.

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