Família vai poder abrir caixão de Luciene
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sexta-feira, 18 de setembro de 1998
Dimitri do Valle 
A curitibana morta no Chile há 45 dias, Luciane de Paula Ribeiro Smoralek, finalmente vai ser sepultada. Os pais da jovem e o marido dela, Aristóteles Smoralek Júnior, chegaram a um acordo ontem, em audiência na 4ª Vara da Fazenda Pública. Eles acertaram que o corpo de Luciene será enterrado no cemitério do bairro Água Verde, em Curitiba, como queria Smoralek. Os pais exigiam que o funeral fosse em Campo Largo, mas mudaram de posicionamento depois que conseguiram apoio para exigir que seja feito o reconhecimento do corpo.
A definição da data de sepultamento só deve ocorrer após a abertura do caixão. A decisão será dada pelo juiz-chefe da Central de Inquéritos, Fernando Ferreira de Moraes. Ele intimou Smoralek a entregar os documentos que acompanharam o translado do corpo de Luciene para o Brasil.
Enquanto Moraes analisar o pedido de necrópsia solicitada pelos advogados da família de Luciene, o caixão permanecerá no Instituto Médico Legal (IML). Durante a audiência, os pais de Luciene tiveram a garantia de que poderão tirar dúvidas se ela estava grávida e a verdadeira causa da morte.
O pedido dos pais para reconhecer o corpo que veio do Chile dentro de um caixão lacrado ganhou força depois que os documentos chilenos, que continham informações sobre Luciene, apresentaram vários erros. O mais grave identifica o sexo da garota como masculino. O advogado dos pais de Luciene, Dioclécio Alves de Oliveira, disse que as contradições verificadas nos papéis são suficientes para que seja feito o reconhecimento.
Ainda não está tudo claro, observou o advogado, prevendo que o reconhecimento seja feito até a semana que vem. Segundo Dioclécio, os pais de Luciene aceitaram que o sepultamento fosse feito no cemitério da Água Verde porque a filha gostava da região, além do fato de a residência de Smoralek ficar próxima ao cemitério. Somente com os resultados da necrópsia, Dioclécio diz que poderá formular a estratégia para investigar quem teria matado Luciene. Smoralek Júnior é o principal suspeito da polícia chilena. Ele nega qualquer responsabilidade pela morte da mulher.
O advogado do acusado, Osmann de Oliveira, disse que Luciene pode ter sido morta num assalto. Não foi o Smoralek. Pode ter sido um assalto, o corpo estava todo mutilado, afirmou. Oliveira anunciou que viajará ao Chile para o ver como está o processo que apura a morte.


