Família teria planejado homicídio de corretor
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Cambé - Vingança e cobiça podem ter motivado o assassinato do corretor de imóveis Siloma Azevedo Brito, de 47 anos, morto com dois tiros na cabeça enquanto dormia na própria cama. O crime ocorreu no dia 22 de agosto, um domingo à tarde, no Jardim Ana Elisa III, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Três pessoas estão presas e mais duas foragidas, suspeitas de participação na execução do corretor, entre elas o filho e a ex-cunhada dele. Todos foram indiciados por homicídio duplamente qualificado.
Outras três pessoas, a filha e mais duas sobrinhas da vítima, também aparecem no inquérito e foram indiciadas por participação no crime. A polícia desvendou a rede de interesses que nortearam a morte do corretor, que era viúvo e morava com dois filhos. Segundo o delegado Valdir Abrahão, a vítima tinha um relacionamento tenso com a ex-cunhada, a dona de casa Marta Carvalho Rocha, 42, que fora casada com o irmão de Siloma. Como o irmão, segundo o delegado, não aceitava a separação, o corretor estaria pressionando a ex-cunhada a reatar o relacionamento. ''Ele teria até usado de violência contra ela e quebrado uma TV de 29 polegadas'', relatou o delegado.
De acordo com Abrahão, a vítima teria emprestado de Marta R$ 20 mil para terminar a construção da casa onde morava com o filhos. Insatisfeita com o comportamento do cunhado, que teria se recusado a pagar a dívida, Marta planejou, segundo o delegado, executar os dois irmãos. ''Além de ser livrar da pressão do ex-marido, ela queria que a casa da vítima fosse vendida para receber o dinheiro emprestado. A partir de então entra o filho na vítima na história''.
O auxiliar geral Alexandro Ribeiro Brito, 24, segundo apurou a polícia, não se dava com o pai. ''Ele achava que o menino era homossexual'', ilustrou Abrahão. Alexandro e a irmã também tinham interesse em vender o imóvel para trabalhar na Itália. Por razões diferentes, mas com objetivos comuns, a polícia acredita que Alexandro e Marta tenham planejado juntos a morte dos irmãos. O vendedor Ataíde Oliveira da Silva, 36, conhecido de Marta, teria sido o primeiro a ser procurado para fazer o serviço. ''Ele recusou alegando falta de coragem, mas indicou outra pessoa''. O principal suspeito é Paulo César Maravilha, 18 anos. A recompensa seria R$ 5 mil, contando com os R$ 500 que Marta teria dado para Ataíde comprar um revólver no mercado paralelo. Segundo a polícia, Paulinho contou com a colaboração de Alexandre Figueiredo, 25, que teria dado fuga ao provável executor com uma moto. Na conta dele, também foi detectado um depósito de R$ 1 mil feito por Marta. ''Os indícios nos levam a crer que ele agiu como co-autor do crime, mas como o Paulinho ainda não foi preso, não está descartada a hipótese de o próprio Alexandre ser o assassino'', argumentou Abrahão.
Além de Paulinho, a polícia ainda está a procura de Alexandro Ribeiro, filho da vítima. Marta Carvalho, Ataíde Oliveira e Alexandre Figueiredo estão presos na delegacia de Cambé.


