Família tenta há 6 meses receber seguro
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quarta-feira, 03 de março de 1999
Célia Baroni 
Mais de seis meses depois do atropelamento e morte da aposentada Maria Luiza Teixeira, sua família ainda não conseguiu receber o dinheiro do seguro obrigatório - R$ 5.081,00. Precisamos deste dinheiro para cobrir os gastos acumulados com a morte da minha mãe. É tanta enrolação que até parece que eles não querem liberar o dinheiro, reclama Lenice Teixeira, de 33 anos, filha da aposentada. Para agravar a situação, a irmã de Lenice que trabalhava com a mesma família que sua mãe há 17 anos e ajudava a sustentar a família também foi demitida.
O seguro obrigatório é cobrado de todo proprietário de veículo junto com o Imposto de Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). Ele é pago pelo governo, em caso de acidente com vítimas fatais, invalidez temporária ou permanente e cobre custas hospitalares decorrentes do acidente. A família entrou com o pedido do seguro em nome de José Silvino Lopes, marido da aposentada, em novembro.
O processo foi aberto junto a seguradora Delfos de Londrina. Conseguimos toda a documentação, mas a seguradora no Rio de Janeiro barrou o processo alegando que o boletim de ocorrência estaria incompleto. A burocracia é muito grande, lamenta Lenice Teixeira. Dois carros atropelaram a aposentada Maria Luíza Teixeira: um Vectra branco e um Golf e os dois motoristas fugiram sem prestar socorro. Por isto, o boletim de ocorrência foi lavrado sem os nomes dos motoristas e documentos dos carros. Até hoje, apenas um dos envolvidos no atropelamento, Fernando Cesar Bertiê Rosa, se apresentou.
Segundo o advogado da família, Devanir Dutra, a ausência destas informações prejudicou o procedimento. Para o seguro, não importa qual dos dois carros atropelou primeiro a aposentada. Os dois são responsáveis, esclareceu. Dutra informou que já encaminhou a declaração do motorista e documentações do carro para o seguro. Acredito que a situação esteja resolvida ainda esta semana.
O superintendente regional da Delfos de Londrina, Jefferson Luiz Marques, nega que o processo seja complicado. Afirma que o repasse do seguro obrigatório só demora quando há problemas com a documentação ou em caso de dificuldade em definir os beneficiários. O processo é simples, desburocratizado e rápido, garante. Ele enfatiza que o seguro pode ser pedido pelo próprio beneficiário. Ele não forneceu informações sobre o processo da família de Lenice Teixeira. Justificou que só está autorizado a repassar dados do processo para os beneficiários e representante legal.


