Familiares de Luciana Aparecida Sanches, 23 anos, que morreu em Curitiba após ter sido queimada numa cela da delegacia de Jataizinho (25 km a leste de Londrina), pediram proteção às autoridades estaduais. A mãe de Luciana, Leda Viana Sanches, 42 anos, teme pela vida da avó da garota, Luzia Silva Viana, 67 anos, com quem ela morava.
‘‘Se fizeram isso com a Luciana podem fazer também com a minha mãe depois do que ela contou’’, afirmou Leda no Instituto Médico-Legal (IML) da capital, enquanto aguardava a liberação do corpo na noite de quarta-feira. A família da garota responzabiliza os policiais de Jataizinho por colocar um homem e uma mulher na mesma cela que Luciana, que era portadora de deficiência mental. Os dois presos teriam incendiado o corpo dela. ‘‘Os policiais prensaram esse casal para maltratar a minha filha’’, denunciou a mãe de Luciana.
Leda Sanches reforçou em Curitiba as denúncias feitas pela avó. Disse que Luciana era perseguida por policiais militares. ‘‘Ela ficava rindo para os policiais e era presa por isso, por birra’’, explicou. Luciana era deficiente mental, mas mesmo assim, segundo a mãe, era levada para a delegacia onde era submetida a frequentes sessões de espancamentos. ‘‘De hoje em diante minha vida acabou. Só resta para mim tentar buscar Justiça’’, disse.
Nos 18 dias em que ficou presa pelo suposto furto de uma carteira, Luciana também teria sido torturada pelo casal de presos acusados de queimá-la. A mãe da garota diz que só conseguiu transferir a filha para o Hospital Evangélico, em Curitiba, depois de autorização da Justiça de Jataizinho.
Se dependesse dos policiais, principalmente do delegado Hélio Nunes Pires, prossegue Leda, Luciana permaneceria no município sem cuidados médicos especiais para o tratamento das queimaduras. ‘‘Aquela cidade é uma terra sem lei’’, desabafou. Segundo a versão da polícia, contestada por Leda, Luciana teria se queimado sozinha. ‘‘Eles distorceram a coisa’’, rebateu.
Luciana foi presa em flagrante no dia 25 de setembro, acusada de ter roubado R$ 90,00 de um idoso. Até o dia 13, ela ficou presa numa cela com uma mulher. Neste dia, um preso foi transferido para a cela delas, porque brigou na ala masculina. Logo depois Luciana foi queimada e levada para o Hospital Municipal de Jataizinho. Ainda consciente, denunciou que os presos tiraram sua roupa e a queimaram. No dia 14, foi transferida para o Hospital Evangélico de Curitiba.

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