Família suspende velório e leva corpo para necrópsia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de dezembro de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
A Polícia Civil de Londrina vai aguardar os resultados do exame de necrópsia feito no cadáver do catador de papel Haglosvaldo Morais, 39 anos, para determinar se sua morte ocorreu no Instituto do Câncer de Londrina, onde permaneceu internado na UTI, ou durante o velório do seu corpo, ocorrido ontem no Jardim Monte Cristo (zona oeste).
No atestado de óbito emitido pela Administração de Cemitérios e de Serviços Funerários de Londrina (Acesf), Morais teve morte por insuficiência respiratória decorrente de uma tuberculose. O paciente era portador do vírus da Aids.
Segundo testemunhas que estavam no velório na madrugada de ontem, o corpo de Morais movimentou as pálpebras, transpirou, alternou temperaturas e não ficou rígido. Uma delas registrou batidas cardíacas em um estetoscópio. Muitas pessoas viram este fato e se assustaram. Eu mesmo vi quando ele parecia ter calafrios. Não parecia morto de jeito nenhum, afirma o advogado Mauro Caldarelli, que esteve no local na manhã de ontem.
Desconfiada que o irmão teria morrido sufocado com o algodão colocado em suas narinas pelo setor de preparo de corpos, Luzia Moreira, líder comunitária do bairro, decidiu impedir o sepultamento do corpo, marcado para ser realizado às 10h30 no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
Um veículo da Acesf levou novamente o corpo para o Instituto do Câncer, que ratificou o laudo anterior, assinado pelo médico Alberto Fujioka. Ainda inconformados, familiares e amigos de Morais se dirigiram então para a 10ª Subdivisão Policial, na área central. A delegada do 1º Distrito, Waldete Testone, determinou a necrópsia do corpo, que seria realizada na noite de ontem. O resultado do exame deve sair em 10 dias.
O chefe do IML de Londrina, Antonio Carlos de Queiroz, tentou explicar à família que as reações observadas no corpo de Morais são acontecimentos frequentes entre os cadáveres. Os sinais de vida seriam ainda resultado do efeito dos fortes medicamentos ministrados durante o tratamento da doença.
Morais permaneceu internado por quase um mês no Hospital da Zona Sul. Anteontem, por falta de vagas em outro hospital, o catador de papel foi encaminhado para a UTI do Instituto do Câncer. Não se pode pôr em cheque a qualidade do atendimento do ICL por causa de um fato incomum. As pessoas que estavam no velório são leigas, não têm como analisar um acontecimento como este. O estetoscópio, por exemplo, pode ter registrado a presença de gases e não de batimentos cardíacos. A UTI do ICL está com equipamentos novos e o paciente estava sendo monitorado permanentemente. Não há como haver engano neste caso, garantiu Queiroz.


