Terra Boa O corpo do lavrador Paulo Calsavara, morto em setembro de 2000, aos 43 anos, será exumado hoje, às 8 horas, no Cemitério Municipal de Terra Boa (46 km ao norte de Campo Mourão). A exumação foi autorizada pela juíza Luíza Terezinha Grasso Ferreira numa ação em que a família de Calsavara suspeita que a morte tenha sido provocada por um medicamento contra leishmaniose que o lavrador usava na época.
A ação tramita no Fórum de Terra Boa desde abril do ano passado, pouco mais de um ano depois do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) da Fundação Nacional de Saúde ter divulgado uma ''nota técnica''. Nela, a fundação afirma que vários lotes do Antimoniato de N-Metal Glucamina, remédio usado por Calsavara, estavam causando ''efeitos adversos de severidade grave em pacientes''.
De acordo com a nota, exames feitos na Universidade de Santa Maria (RS) mostrou que todos os seis lotes do medicamento apresentaram um índice de arsênio 36 a 65 vezes maior que o valor de referência para a administração via oral. O remédio é injetável. Alguns lotes tinham chumbo de 1,4 a 1,7 vezes maior que o valor de referência. Na época, esse resultado fez o Ministério da Saúde recolher o medicamento em todo o País.
A ação apresentada pela viúva, Francelina Calsavara, objetiva descobrir a verdadeira causa da morte do marido. Segundo a certidão de óbito, ele morreu de acidente vascular cerebal agudo (derrame), três meses depois de ter iniciado um tratamento com o antimoniato. O remédio foi fornecido ao lavrador pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde (Cis-Comcam), em Campo Mourão, em junho de 2000.
A 11 Regional de Saúde de Campo Mourão já informou à Justiça que recebeu, entre maio e dezembro de 2000, medicamentos de dois dos lotes que tiveram problemas. Também em resposta à Justiça, o médico legista Lineu Marques, que participará da exumação, disse que ainda é possível encontrar chumbo nos restos mortais, mas que, mais de dois anos após a morte, não há como confirmar se a causa da morte foi derrame.
O advogado da Eurofarma Laboratórios Ltda, responsável pela fabricação do medicamento, Antônio Franco, informou que a defesa só será preparada após a análise dos restos mortais.

mockup