Família sonha com ajuda para filho
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A auxiliar de enfermagem Maria do Carmo Bravo, de 60 anos, tem um sonho: parar de trabalhar para cuidar do filho, André Luiz Bravo, de 31 anos, vítima de paralisia cerebral. Há 20 anos André leva uma vida vegetativa, e sua única interação com o mundo exterior são os sinais que consegue emitir para mostrar o quanto a mãe lhe faz falta. Há anos a família tenta obter algum benefício da Previdência Social para ajudar nas despesas, mas os pedidos têm sido indeferidos.
''Quando eu estou trabalhando ele fica muito agitado, tem até oito convulsões por dia'', conta Maria do Carmo, que é auxiliar de enfermagem no período noturno em hospital de Tamarana e chega a ficar 18 horas fora de casa. ''Saio de casa às 16h30, pego três ônibus e trabalho das 19 às 7 horas. Chego de volta em casa lá pelas 9h30, 10 horas.'' No resto do dia, Maria do Carmo não pode nem pensar em descansar, já que os cuidados exigidos por André lhe tomam praticamente todo o tempo.
''Meu marido perdeu parte do pé por causa de uma trombose e eu não posso contar com ele para dar banho no André, por exemplo. Gostaria muito de ter alguém para me ajudar.'' Atualmente ela está de licença, mas já teme pelo que vai enfrentar quando voltar ao trabalho.
Há 20 anos a rotina da auxiliar de enfermagem é de pouco descanso e muito trabalho. Além da alimentação especial, das trocas de fralda constantes, dos remédios na hora certa e dos banhos, Maria do Carmo quase não dorme quando o filho tem um sono agitado. ''Eu já fico aqui do lado dele e levanto se ouço qualquer barulhinho. Tenho medo que ele se afogue com a saliva'', diz, mostrando a pequena cama colocada no quarto de André. É ali que ela recosta com o filho durante as longas madrugadas.
O problema de André apareceu de repente, quando ele tinha 11 anos. Segundo a mãe, o garoto teve uma crise convulsiva que durou pouco mais de duas horas. ''Nem os remédios conseguiam controlar'', lembra. Até então, segundo Maria do Carmo, o filho era uma criança saudável. ''Uns dias antes da convulsão parece que ele teve pequenas crises, que quase não dava para perceber. Nunca imaginei que fosse algo tão grave.'' Maria do Carmo teve outro filho, hoje com 25 anos, que teve meningite na infância e perdeu a audição.
Na comunicação feita à família de indeferimento ao pedido de auxílio para André, o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) informa que a renda per capta da família é ''igual ou superior a um quarto do salário mínimo vigente na data do requerimento''. A decisão, informa o documento, é fundamentada na lei nº 8.742/93 (Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS).
De acordo com a chefe do Serviço de Benefícios da Gerência Executiva do INSS de Londrina, Marilena de Almeida Marques, os benefícios previdenciários - como aposentadoria, aposentadoria por invalidez e auxílio doença, entre outros - só são concedidos a pessoas que tenham registro como contribuinte. ''As pessoas não filiadas, independente da idade, podem ser beneficiadas pela LOAS. A lei, porém, restringe a renda familiar.'' Marilena ressalta que o INSS apenas operacionaliza o benefício, que tem caráter assistencial e é controlado pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome.


