Londrina - Aos 78 anos, Odette Castelhano se mantém firme e forte. E não é para menos. Apesar da idade, não se dá ao direito de descansar ou receber mimos. Pelo contrário. Vive um dos períodos mais delicados da sua trajetória. Numa casa popular no Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina), cuida dos netos Luana, de 23 anos, que tem esquizofrenia, e Paulo Rogério, de 30 anos, portador de Síndrome de Lennox-Gastaut.
Para deixar a situação ainda mais dramática, o medicamento usado no tratamento de esquizofrenia da neta é de alto custo e não vem sendo distribuído pela rede pública de saúde. "Desde janeiro, este medicamento, o Aristab (aripiprazol) 15 mg, indicado para o tratamento de esquizofrenia, vem faltando na farmácia da 17ª Regional de Saúde de Londrina. Minha neta necessita deste remédio. Tenho medo que ela sofra ainda mais com crises, surtos e alucinações. A medicação ajuda a manter sua situação sob controle", destaca Odette, que conta com ajuda da filha Aurora Marques para cuidar da casa.
A neta dela toma uma cápsula e meia por dia. Uma caixa da medicação dá para apenas duas semanas. "Não tenho condições de comprar este remédio. Cada caixa custa R$ 400. Vivo com apenas R$ 2 mil por mês, juntando as três aposentadorias: a minha, a do meu neto e a da minha neta. Tenho muitos gastos com eles. Somente minha neta toma seis tipos de remédios e meu neto outros cinco", conta. "Sou viúva e, praticamente sozinha. Além disso, tenho que comprar fraldas geriátricas para os dois", acrescenta.
Para piorar, Odette tem um empréstimo de R$ 8 mil a ser pago, feito para construir o muro em volta da casa para evitar que a neta fuja. A esquizofrenia é uma doença mental grave, que acomete jovens, conduzindo a alterações de pensamento, emoções e comportamento.
Sem muita esperança de que pode receber o medicamento, Odette faz um apelo à população londrinense. "Se alguém puder nos ajudar a conseguir o Aristab, 15 mg, pode ligar no meu telefone, 3028-0068, ou vir até a nossa casa na Rua Braz Lucas Teruel, 255, no Residencial Vista Bela."
A assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde do Paraná informou que o governo abriu licitação para realizar a compra diretamente com o fabricante do medicamento. Porém, a empresa não tinha mais interesse de fornecer o produto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a assessoria, sem dar qualquer previsão, foi aberta uma segunda licitação e uma distribuidora deverá oferecer o medicamento em breve.
A pasta admitiu que desde janeiro de 2015 o Aristab não é distribuído e está em falta na 17ª Regional de Saúde. No entanto, destacou que disponibiliza ao menos cinco medicamentos similares que podem ser usados em tratamentos para esquizofrenia.

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