Família sem-teto é retirada de invasão
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domingo, 30 de dezembro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Cansada de ver tantos terrenos vazios e até cheios de lixo em Londrina e não ter onde morar, uma mulher resolveu dar uma melhor utilidade para uma dessas áreas, construindo uma casa. A desempregada Vânia Braz Brito, 27 anos, juntou doações de tábuas de madeira e construiu quatro paredes em um terreno pertencente à Cohab na rua Santa Rosa, no jardim Interlagos (Zona Leste). Ao lado, outra família fez o mesmo. ''Eu sei que é da Cohab, mas o terreno está cheio de lixo, o povo joga até cachorro morto aqui'', explicou-se.
Porém, antes que os barracos ganhassem uma cobertura, eles foram destruídos na manhã de ontem, supostamente por um vizinho. ''Ele é policial aposentado, veio de arma na mão e derrubou tudo. Chegou a apontar a arma pras minhas crianças. Ele não é da Cohab, não tinha esse direito'', reclamou Vânia, enquanto começava a reerguer as paredes, observada pelas duas filhas, de 9 e 5 anos. ''Sei que não é certo, mas a gente procura fazer direito, pagar o carnê certinho e não consegue, ninguém dá oportunidade. Pobre nenhum quer roubar, mas a gente só tem oportunidade na beira do córrego. A gente não é marginal'', desabafou.
Vânia contou que já chegou a passar a noite na Cohab em busca de um terreno, mas não conseguiu. Hoje, ela diz morar na favela da Fraternidade com o marido e as filhas. ''Estamos desempregados faz tempo, e se não fosse a assistência social estaríamos passando fome. Não tenho mais ninguém que me ajude'', revelou.
Mas a reconstrução durou pouco. A PM foi chamada ao local e os policiais lhe explicaram que ela não podia continuar. Quanto à queixa sobre o vizinho, ela foi orientada a registrar um boletim de ocorrência. Sem saída, Vânia assentiu, questionando-se por que há tanta invasão irregular pela cidade há tanto tempo e justamente a dela precisou ser retirada.
Quando a invasão ainda está em andamento, a polícia pode ser chamada e impedir que se consolide. Porém, depois que a pessoa fixa residência no local, a retirada só é possível por meio de mandado judicial. Ou seja, Vânia precisou sair porque seu barraco ainda não tinha teto. ''Gostaria que houvesse menos egoísmo no mundo. As pessoas são muito egoístas, só querem as coisas para si'', lamentou. Enquanto isso, suas filhas, sem compreender o que acontecia, gritavam ''olha, mãe, o vendedor de ursinho!'', apontando para um vendedor ambulante que passava do outro lado da rua. Mas nenhuma delas pediu-lhe que comprasse.


