Já marcada pela tragédia sofrida na tarde de sábado do dia 2 de junho deste ano, a família Ruiz reviveu na noite de anteontem o terror de ficar sob a mira de um revólver empunhado por assaltantes. Apenas três meses após o assassinato do filho mais velho, o universitário Rafael Bernardino Ruiz, de 19 anos, o advogado Alberto precisou suplicar para que os criminosos que invadiram novamente sua residência na Zona Oeste de Londrina não ferissem nem fugissem com o filho caçula, o também estudante Danilo Bernardino Ruiz, de 18 anos.
A invasão da casa da família aconteceu por volta das 22 horas. Marilene Ruiz, mãe de Danilo, chegava do mercado com compras e foi rendida por três assaltantes, sendo dois deles possivelmente menores de idade e um adulto. ''Eles abordaram minha mãe quando ela estava entrando pelo portão. Foi um susto muito grande. Um deles tinha a cabeça coberta com uma camiseta e os outros dois estavam mostrando o rosto normalmente'', comentou o estudante. Ao entrar na residência, os criminosos amarraram todos utilizando camisetas, lençóis e foram juntando equipamentos eletrônicos e outros objetos.
Os assaltantes permaneceram na casa cerca de 40 minutos e fugiram levando o roubo no carro da família, um Ford Fiesta. Poucas horas depois do assalto, a Polícia Militar localizou o veículo abandonado em frente a uma casa no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul).
Desgastado emocionalmente, Alberto comentou que a terça-feira tinha sido particularmente difícil para a família, porque a polícia havia divulgado a prisão do último assaltante envolvido no assassinato de Rafael. ''Eu estava depressivo, com hipertensão, porque tinha sido preso o último daquela tragédia. De repente, minha mulher entra em casa com um revólver apontado para a cabeça. Revivi tudo novamente, a mesma cena, a mesma sensação... Foi como se tivesse começado tudo de novo'', desabafou.
O advogado precisou invocar suas últimas forças como pai para contar aos criminosos que há três meses tinha tido a casa invadida por outros bandidos e que o seu filho mais velho, que tentou defendê-lo, foi morto com um tiro no abdôme. ''Eles queriam levar meu filho e eu pedi para não levarem porque já tinha perdido um. Contei toda a tragédia. O assaltante mais velho falou que tinha ficado chateado com tudo aquilo, que tinha pegado pesado comigo e que então não iria levar meu outro filho.''
Alberto reclamou que o bairro é muito visado por assaltantes. ''Na semana passada, teve três assaltos na avenida Rio Branco. Nesta semana, entraram em uma casa próxima da minha'', citou. A família, que já tinha o propósito de se transferir para um apartamento, deve apressar a mudança. ''Se tivesse oportunidade mudaria de país'', comentou o advogado que, depois de tudo isso, luta para se manter de pé. ''A gente tem que ir juntando os cacos para continuar tocando a vida'', concluiu.
O porta-voz da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguédis, apontou que o Jardim Presidente não é um local de alta ocorrência de roubos à residência. Ele informou que várias equipes estavam empenhadas em localizar os suspeitos do roubo à família Ruiz e pediu: ''quem souber de alguma coisa pode denunciar pelo 181 (Polícia Militar) ou 197 (Polícia Civil)''.

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