Família revela: Django já foi militante do MST em Andradina
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Estado 
O segurança José Lopes de Oliveira, o Django, morto pelos sem-terra na fazenda Borborema, em Tamarana, já foi militante do MST em Andradina, onde seu corpo foi sepultado ontem diante de protestos dos familiares. A irmã dele, Nair Lopes e a Sônia Gonçalves, com quem viveu os últimos dois anos, repudiaram as versões de que Django tivesse experiência como pistoleiro. Ele nunca andou armado, embora sempre tivesse morado em fazenda, e nunca foi violento em casa, disse Sônia.
Há seis anos, Django chegou a integrar uma lista de pessoas que participariam de uma ocupação de terra, elaborada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Andradina, segundo a irmã dele, Nair Lopes. Seu sonho era ter um sítio para plantar e colher. A vida inteira sempre se dedicou em trabalhar nas fazendas como retireiro, mas quando veio do Mato Grosso do Sul, onde trabalhou de peão boiadeiro, chegou a montar num caminhão para invadir terras.
Ultimamente, Django fazia cobranças particulares e viajava para várias cidades. Segundo Sônia, que é sua segunda mulher, ele fez várias viagens a Londrina e no sábado, um dia antes de ser morto na fazenda Borborema, ligou para dizer que estava tudo resolvido. Na versão dele, os problemas haviam sido solucionados com as 42 famílias de invasores, aceitando sair da área ocupada há dez meses. Django explicou para Sônia que havia sido contratado para ajudar no despejo dos sem-terra. Ele nunca foi de recusar serviço e, precisando de dinheiro, com certeza aceitou a proposta. Também não era homem de ter medo. Tinha coragem e enfrentava qualquer situação.
A mãe de José Lopes, Umbelinda Lopes de Oliveira, disse ontem que o arrendatário da fazenda, Pedro Ribeiro, é quem deverá pagar as despesas do funeral. A família é pobre, mora num barraco na zona norte de Andradina. José vive numa casa de conjunto habitacional do bairro Pereira Jordão, no mesmo município, e pagava R$ 39,00 por mês de prestação.


