Curitiba - Os internos da Associação Filantrópica Tia Leoni, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba, estão sendo atendidos provisoriamente por equipes da Prefeitura Municipal. Assistentes sociais, auxiliares de enfermagem e psiquiatras fazem esquema de rodízio no atendimento dos pacientes e abrigados. Familiares já estão sendo localizados para concluir a documentação que autorize a retirada das pessoas da casa asilar. Remédios estão sendo fornecidos pela Farmácia Básica para que não falte atendimento.
Segundo o secretário de governo de São José dos Pinhais, Aldrian Matoso, a divulgação da imagem dos asilados em rede de televisão nacional possibilitou a identificação de uma mulher que estava desaparecida há 20 anos. ''Hoje (ontem) me ligou a irmã de uma mulher que está abrigada e que desapareceu de Caxias do Sul. Ela e os demais irmãos vão vir buscá-la no sábado'', relatou. Os internos estão sendo acompanhados diuturnamente por equipes multidisciplinares desde que a casa foi interditada pelo Ministério Público (MP) estadual e pela Vigilância Sanitária.
Três pessoas foram presas após a inspeção acusadas de maus tratos e cárcere privado. O abrigo não tinha apenas idosos. Ele mantinha num mesmo espaço físico dependentes de drogas e pessoas com transtornos mentais. Os familiares pagavam R$ 800 por mês para que os internos fossem tratados e acompanhados por auxiliares de enfermagem e psicólogos. A filha de um dos internos foi quem resolveu fazer denúncia de maus tratos contra o local. Ela relatou que a negligência e os maus tratos ocorriam no período noturno. No local, foi constatado atendimento desumano: os pacientes dormiam em três quartos, sem qualquer tipo de higiene. Panelas eram usadas como banheiro e ficavam dentro dos quartos, onde não existiam lâmpadas.
A Delegacia de São José dos Pinhais já instaurou inquérito para apurar o caso. ''Várias famílias estão procurando os internos. Pedimos que as pessoas agilizem o processo de retirada dos pacientes. Mas não vamos deixar ninguém desamparado. Estamos atendendo provisoriamente, com recursos próprios'', explicou o secretário. São José dos Pinhais tem 22 casas asilares -sete delas com alvará para abrigar pessoas com transtornos mentais (era o caso da Associação Filantrópica Tia Leoni). Além de atendimento psiquiátrico, os internos estão sendo atendidos por médicos. Alguns estavam apresentando quadros de diarréia. Outros tinham problemas estomacais.
O MP informou que deverá ajuizar uma ação civil pública para pedir a cassação do alvará da instituição, o fim das atividades da casa e a designação de um interventor provisório para acompanhar os internos até que todos sejam encaminhados para casa de parentes ou removidos para outros locais.

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