A família do médico e agropecuarista José de Mattos Leão, proprietário da Fazenda Perpétuo Socorro, que está em poder dos integrantes do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Santa Maria do Oeste (68 km a oeste de Guarapuava), desde o dia 29 de dezembro, recebeu no sábado à tarde uma série de ameaças por telefone.
Segundo Carolina de Fátima Mattos Leão, além da vida dela e do marido, os filhos do casal também foram ameaçados. ‘‘O homem que se identificou como Cardoso dizia que sabia até em que escola meus filhos estudam. Ele falou que meu marido teria dor em dose dupla, pois ficaria sem a fazenda e sem a esposa e os filhos’’, informou. ‘‘Cardoso disse que não precisaria omitir a identidade e que era para tirarmos a polícia do local’’, ressaltou.
Carolina acusa o governo do Estado de descaso e de ter provocado o conflito. ‘‘Além de termos a propriedade invadida e roubada, mesmo com a reintegração de posse decretada, as autoridades não tomam uma atitude. Estamos sofrendo tortura psicológica’’, desabafou.
Para chamar a atenção das autoridades, sexta-feira será promovida uma carreata. O objetivo, segundo Carolina, é conscientizar a população. ‘‘Queremos sensibilizar a todos’’, alegou.
Esta não é a primeira ameaça recebida pela família Mattos Leão. Há 15 dias, Zeloí de Mattos Leão, mãe de José, também teria sido ameaçada. De acordo com a denúncia dela, os telefonemas (três no total) tentaram intimidá-la para reverter a assinatura da doação da Fazenda Perpétuo Socorro. ‘‘O Incra divulgou meu nome e as ligações eram todas no sentido de anular a escritura’’.
Zeloí possui uma procuração com amplos poderes assinada pelo marido, Aírton de Mattos Leão, que está em coma num hospital de Guarapuava. ‘‘Não dei queixa porque estava cuidando do marido e sabia que a polícia não faria nada’’, disse.
‘‘Os sem-terra conheciam a situação do meu marido, sabiam da placa do meu carro e disseram que, quando eu saísse, ia levar um tiro e que teria a cabeça arrancada do pescoço. Como não dei atenção, pararam de me ligar’’, afirmou.
Paulo Pires, um dos líderes do MST na região, nega a autoria das ameaças e diz que isso serve para criar um clima negativo junto a opinião pública. ‘‘Não ligamos para cobrar que os latifundiários retirassem a polícia, pois quem manda nela é o Estado’’, disse. ‘‘Soubemos da ameaça pela imprensa, mas a única pressão que fazemos é na área improdutiva em que estamos acampados‘‘, afirmou.
‘‘Se ela falou que foi ameaçada, queremos que prove. A Carolina não vai ter como se defender, já que localizamos na propriedade uma carta dela para o marido, onde dizia que mandava os seguranças dar tiros nos acampados’’, afirmou.
Com a paralisação da colheita de milho no sábado, o clima começou a ficar menos tenso em Santa Maria do Oeste. A Coagri deve realizar um laudo no caminhão carregado com o milho colhido na fazenda e que foi apreendido pela polícia na noite de quarta-feira.
A alegação é de que o veículo deveria ser transportado por pessoal especializado até a 14ª Subdivisão Policial de Guarapuava, onde ficou detido para a realização dos autos. A carga foi descarregada na Cooperativa Agrária Mista de Entre Rios, onde o arrendatário Alfredo Wolbert, dono do milho, é associado. Os dois sem-terra presos na apreensão do caminhão foram liberados no final de semana.

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