Família reaprende a comer para enfrentar a obesidade
SAÚDE
Família reaprende a comer
para enfrentar a obesidade
Intenção de londrinenses é deixar de ser referência pela gordura
César AugustoEsforçoDispostos a acabar com os preconceitos, os Rossafa Garcia recorreram à cirurgia e estão reaprendendo a comer. O pai Augusto substitui os talheres usados nas refeições por uma colherzinha de café: Parece uma criança comendo, mas é uma estratégia que funciona. Come pouco e devagar, garante a esposa CecíliaLuciane TononReaprender a comer. Esta é a nova meta da família Rossafa Garcia, de Londrina, que decidiu mudar a vida e o referencial de família obesa, para família que está preocupada com a saúde e disposta a acabar com os preconceitos.
Augusto José Rossafa Garcia, 47 anos e a filha Janaína, 21, já fizeram a cirurgia que reduziu a capacidade do estômago deles em 98%. O próximo a fazer a cirurgia será o filho Gustavo José Rossafa Garcia, 23 anos, que pesa atualmente 160 quilos. A maior causa de obesidade da família é ansiedade.
Durante muitos anos, a família Rossafa Garcia sofreu com preconceitos, discriminação e com o próprio desconforto de ser gordos. Não adianta porque gordo não é gente, é referência, afirmam.
A história dos Rossafa Garcia está mudando. Há quatro meses Janaína, filha do meio do casal Cecília e Augusto, foi a primeira londrinense a fazer a cirurgia de redução de estômago. Ela foi atendida pelo especialista Daoud Nasser, de Maringá. Na época, Janaína pesava 135 quilos. Com a cirurgia, já emagreceu 40 quilos. Não tinha outra solução, para eu emagrecer. A vontade de comer era mais forte do que todas as propostas que recebia de emagrecimento, disse.
Segundo ela, a iniciativa de cirurgia partiu de um convite para uma reunião com pessoas que já haviam feito este tipo de cirurgia. Vimos fotos de pessoas antes e depois da cirurgia e o resultado era animador, comentou Janaína.
Empolgado com a cirurgia da filha, o Augusto, que pesava 143 quilos também resolveu mudar de vida. No dia 24 de junho se submeteu à cirurgia. Ele já perdeu 10 quilos. Todos os dias perdemos um pouco do peso, porque a vontade de comer é mínima, explicou Augusto. Ele disse que não tinha mais nem ânimo para trabalhar. O próximo a se operar da família é Gustavo, que pesa 160 quilos.
Além da cirurgia, a família está reaprendendo a comer. Hoje, as refeições de Augusto são feitas com uma colherzinha de café. Parece uma criança comendo, mas é uma estratégia que funciona. Come pouco e devagar, disse Cecília Rossafa Garcia, esposa de Augusto. Segundo ela, os dois, já operados, não comem mais do que uma colher (de sopa) de arroz em cada refeição.
Cecília conta que tudo mudou na casa. As despesas no supermercado, que eram de R$ 200,00 semanais, passaram a ser de R$ 50,00. Antes nós gastávamos 5 quilos de arroz por semana. Hoje, a mesma quantia dá para um mês, disse. O número de roupas e calçados também diminuiu significativamente. Roupa para eles era só por encomenda. Agora já entram em loja normal. Isso levantou bastante o astral da família, disse Cecília. Segundo ela, antes da cirurgia Janaína calçava 38 e agora calça 36. Sem o comportamento dela, melhorou em 100%.
A cama do casal tem um tamanho normal, mas necessita de 10 pés para sustentar o peso. Essa realidade ainda vai mudar, aposta Cecília. Ela e a filha caçula Gabriela não vão precisar da cirurgia. O peso das duas é considerado normal. Mas por termos tendência, também nos cuidamos, disse Gabriela.





