Carente de afeto. Essa era a marca da curta vida de Diego, segundo sua família. O rapaz, de apenas 15 anos, já tinha vivido um bom quinhão de desgraças. A começar pela perda da mãe, aos quatro anos, e nos últimos tempos a luta contra a droga.
Segundo a tia, Marina Francisco Marra, os problemas do rapaz começaram quando ele tinha 10 anos e saiu de casa em busca do pai que morava do outro lado da cidade. ''A gente dava estudo, dava carinho, mas infelizmente não foi suficiente, talvez por não ter mãe ele queria o amor do pai'', diz uma prima que pede para não ser identificada.
O pai, na época foragido da Justiça, é que teria iniciado o jovem no mundo do tráfico. ''Ele colocou ele para vender drogas, hoje está preso de novo'', afirma. A família não sabe ao certo dizer quando, mas sabe que Diego acabou virando morador de rua.
No final do ano passado, segundo a tia, ele tentou voltar a uma vida normal. Retornou para a casa e começou a frequentar a igreja. A tentativa, entretanto, só durou dois meses. ''Ele fez muita inimizade na época que morava na rua e acabou jurado (de morte) na vizinhança'', diz a prima.
No velório realizado na tarde de ontem, a família era só revolta e pouca informação. ''Liguei uma vez (no Ciaadi) e me disseram que era por causa de droga, na outra vez uma moça me tratou muito mal e disse que ele era pilantra e deveria morrer'', desabafa.
Os familiares também questionam como o crime pode ter ocorrido sem que os monitores percebessem. ''É o descaso, não sei por que eles recolhem para lá. Se é para morrer, antes morrer na rua que é mais fácil, eles atiram e pronto; meu sobrinho apanhou demais'', desabafa a tia.
A família diz que não pretende mover ações contra o Estado. ''Temos agora é que pôr o joelho no chão e pedir para Deus que perdoe quem matou, a vida dele não vai voltar e a gente é pobre. Não temos como lutar contra o Estado e contra quem deveria fazer a Justiça'', diz a prima.

mockup