Desde que o azulejista Arivaldo do Nascimento, 35 anos, de Cambé, morreu há uma semana em Lisboa, capital de Portugal, a família está se mobilizando para viabilizar o traslado do corpo para o Brasil. Os parentes não têm condições de bancar o custo do serviço, que gira em torno de R$ 20 mil.
Para o metalúrgico João Pedro dos Santos, 43, cunhado de Nascimento, o poder público deveria auxiliar. Até agora, porém, o único apoio financeiro veio de vizinhos e amigos. ''É revoltante. Ele é brasileiro e acho que o governo deveria se importar. Parece que o brasileiro só tem valor quando está morando e pagando imposto aqui'', criticou. Ele explicou que a situação precisa ser resolvida em até um mês após a morte, sob risco do corpo ser enterrado como indigente.
Nascimento morava sozinho nas proximidades de Lisboa e trabalhava como pintor. Ele foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). A esposa Isabel dos Santos, 35, conta que ele pretendia ficar até o final do ano no exterior, antes de voltar em definitivo para o Brasil. O dinheiro que ele ganhava em Portugal estava sendo usado para pagar dívidas antigas e as prestações da casa onde ela mora com a filha do casal, de apenas 12 anos.
Uma alternativa estudada pela família é a cremação do corpo, o que reduz o custo do traslado para R$ 6 mil. Para arrecadar dinheiro, os familiares estão fazendo um apelo para receber doações através de uma conta bancária.
A assessoria de imprensa do Itamaraty relatou que o órgão não possui dotação orçamentária para pagar despesas de traslados de corpos do exterior, mas que presta assistência na burocracia para liberação do corpo. Informou ainda a situação do brasileiro - legal ou ilegal - é ''irrelevante'' e que qualquer família pode solicitar apoio nas embaixadas no País ou no exterior.
Serviço - As doações para a família podem ser feitas através da conta corrente 18601/05, na agência 0768/4 do Banco do Brasil.

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