Família quer solução para assassinato
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de fevereiro de 1999
Alexandre Sanches 
A família Mathias, de Arapuã (123 km ao sul de Apucarana), está cobrando do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ) mais empenho no encaminhamento do processo que apura o assassinato do ex-prefeito Hélio Mathias, ocorrido em abril de 1997.
Hélio foi morto a tiros por dois homens em frente a uma concessionária de veículos de Arapongas, 107 dias após ter assumido a função de primeiro prefeito do município recém-emancipado.
No dia 14 de janeiro dois detentos da cadeia de Arapongas e acusados de terem participado do crime foram identificados por sete pessoas de Arapuã e Ivaiporã. André Alves da Silva, que usava o nome falso de Antônio Carlos da Silva, e David José de Assis foram vistos pelas testemunhas nos dois municípios, dias antes do crime, inclusive percorrendo as cidades dentro de um dos carros do atual prefeito, José Pereira da Silva. Após a morte de Hélio Mathias, eles sumiram da região.
O reconhecimento foi feito. Todas as provas levam a José Pereira da Silva e família. O caso está muito devagar e o processo está parado no Tribunal de Justiça, em Curitiba, ressaltou Deodato Mathias, irmão do ex-prefeito.
Ele, juntamente com o pai, João Mathias, disse que a justiça tem conhecimento que o prefeito procurou prejudicar as investigações, ameaçando pessoas, mas que nada foi feito.
João Mathias também apela para que o governador Jaime Lerner cumpra o que prometeu há alguns meses, durante visita a Arapuã. Ele prometeu rigor nas investigações e que tomaria todas as providências para que os autores do crime fossem presos. Agora com os dois presos e reconhecidos por testemunhas, falta somente prender os mandantes. Mas até o momento nada foi feito, desabafou.
Durante as investigações, várias pessoas foram citadas como sendo os mandantes do crime. Mas cruzando as informações, todas as suspeitas recaíram sobre o prefeito José Pereira da Silva e sua família. Tanto que o promotor de Justiça Denis Pestana já indiciou todos eles, ressaltou Deodato Mathias. A esperança da família Mathias está no envolvimento dos deputados estaduais que representam a região, para convencer o Governo do Estado a se empenhar no caso.
Hélio Mathias foi morto quando saía de uma concessionária de automóveis na Avenida Maracanã, em Arapongas. Ele foi abordado por dois homens não identificados e levou três tiros à queima-roupa. Os autores dos disparos fugiram num Chevette prata. O carro que estava em poder de André Silva e David de Assis também foi identificado pelas testemunhas.


