Londrina

Mário CésarCobrançaA balconista Angela Moretto, tia de Cristian: ‘A família está revoltada com a demora nas investigações’A família do estudante Cristian César Moretto, morto em abril, vítima de assassinato, cobra novamente da polícia mais agilidade na conclusão do inquérito sobre o crime. Ele foi baleado há quase um ano - 14 de julho de 1996 - em um bar do bairro Cervejaria, zona leste de Londrina. O estudante foi atingido nas nádegas e o tiro perfurou vários órgãos, explica a tia do rapaz, a balconista Angela Moretto. Cristian, na época com 18 anos, ficou internado cinco meses (três deles na Unidade de Terapia Intensiva) e outros três meses entre a própria casa e em hospitais.
Para desespero da família, o inquérito que apura a morte do estudante do curso de enfermagem da Santa Casa teve vários problemas que atrapalharam as investigações: troca de delegados, sumiço dos autos e demora na conclusão de laudos. ‘‘Nós estamos revoltados com a demora nas investigações’’, reclama Angela. ‘‘Ele era um menino bom, estava de bem com a vida, tinha prestado vestibular para Medicina.’ A balconista lembra que dois amigos da vítima foram baleados, mas conseguiram sobreviver.
Um fato é o que mais revolta a família: os dois irmãos que confessaram o assassinato, Joel e Rubens Mendes de Queiroz, estão em liberdade. ‘‘Eles trabalham na construção civil, moram no jardim Califórnia (zona leste) e vivem na lanchonete do bairro tomando cerveja’’, reclama Angela, indignada.
ReproduçãoFinal trágicoCristian Moretto: baleado em julho de 96, ficou vários meses internado até morrer em abril deste ano
Ela ressalta que o crime aconteceu por motivo fútil. Os dois irmãos teriam baleado os rapazes porque eles cumprimentaram uma moça que acompanhava a dupla.
O delegado Antonio de Oliva Zuba, do 2º Distrito Policial, confirmou que os dois irmãos já confessaram o crime. Ele diz que o inquérito não está lento, relatando que para conclui-lo falta o Instituto Médico Legal fazer o exame complementar de lesões corporais em um dos amigos baleados, Charles Roger da Silva. ‘‘Ele já foi convocado, mas não foi ao IML fazer o exame’’, reclama o delegado. ‘‘Vamos intimá-lo novamente. Se ele recusar, vamos entrar com um mandado de condução coercitiva. Vai por bem ou por mal’’, avisa Zuba.
Depois de concluído, o inquérito será enviado ao Fórum. ‘‘Caberá então ao juiz pedir a prisão dos criminosos’’, explica o delegado.

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