Há interessados na represa no Rio Laranjinha (a 10 quilômetros do perímetro urbano de Ribeirão do Pinhal), que serviria à construção de outra hidrelétrica, em lugar daquela que se revelou inviável há mais de 40 anos, informa o prefeito Moacir Lataliza, dizendo ter sido procurado por pessoas do ramo. No entanto, Lataliza imagina transformar a represa e sua margem direita em área de lazer, cujo principal atrativo seria um bondinho aéreo correndo em cabo de aço (teleférico).
A idéia preocupa Selma Agnaldo da Silva, que reivindica para a sua família 84.712 metros quadrados (três alqueires e meio) na barranca do rio, justamente o espaço mencionado pelo prefeito e que, legalmente, pertence ao município. Selma, filha de Sebastião Nunes e Idolarina Desidéria da Silva, nasceu ali, onde os pais passaram a morar na década de 60, com o consentimento do então Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que os autorizou a usufruir da terra e moradia, desde que zelassem pelo patrimônio, substituindo a um funcionário aposentado.
Existem três casas de alvenaria no lote, onde nasceram também os filhos de Selma. O pedido de doação à família está formalizado desde setembro de 1973, conforme protocolo n.º 2.864 do DAEE, sucedido pela Superintendência dos Recursos Hídricos e do Meio Ambiente (Surhema), que também reconheceu a ocupação. Quando o pai morreu, Selma passou a representar a família e guarda os recibos de luz e água, do Imposto Territorial Rural (ITR) e de financiamentos bancários para produzir no local, que denominou ''Chácara Laranjinha''. Ela disse que já formalizou ao Estado um novo pedido de doação, agora em seu nome, e que pretende permanecer, mesmo que não seja contemplada. ''Só que sair, eu não saio. Sou sem-terra também'', afirma.
Entretanto, o prefeito Moacir Lataliza informa que uma lei da Assembléia Legislativa, de 1996, transferiu do Estado ao Município a área. Segundo o assessor jurídico da Prefeitura, Claudionor Siqueira Benite, o longo tempo não dá aos ocupantes o direito de propriedade, porque sempre tiveram conhecimento de que se tratava de patrimônio público, que não pode ser alvo de usucapião. (W.S.)

mockup