Família quer exumação de cadáver
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 1999
Célia Baroni 
A família da empregada doméstica Iracema Henrique, de 36 anos, encontrada morta no apartamento onde trabalhava, no centro de Londrina, quer que o corpo dela seja exumado e os exames de necrópsia refeitos com o acompanhamento da promotoria. Os pais Luiz e Dirce Henrique não acreditam nos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística apresentados segunda-feira pela polícia. Os exames apontam que a morte foi acidental. Mas a família acredita que ela tenha sido assassinada.
Ninguém quebra o pescoço caindo na cama e batendo a cabeça na parede. Alguém matou minha filha e a gente não vai descansar enquanto a polícia não descobrir quem foi, diz Dirce. As dúvidas da família, diz ela, estão baseadas em contradições e incoerências que apareceram desde a descoberta do corpo. A polícia fala que ela sofreu uma lesão no pescoço e morreu de hemorragia. Na certidão de óbito, o médico afirma que o pescoço dela estava quebrado e não fala de hemorragia. Quem está mentindo?
Luiz Henrique mostrou o atestado de óbito à reportagem da Folha. No documento número 33.077, o médico Fernando Moura assina como causa morte de Iracema traumatismo raqui-medular e fratura vértebra cervical. Ela foi encontrada morta na manhã de quinta-feira, mas segundo a família ela deixou de fazer contato na manhã do dia anterior. Combinou encontrar o namorado, Anderson Araújo, na casa dos pais na quarta-feira à tarde e marcou dentista para 17 horas do mesmo dia. Não apareceu em nenhum dos compromissos nem ligou justificando.
Iracema, segundo os pais, era extremamente responsável, nunca perdeu horário no dentista, sempre avisava a família sobre o que iria fazer e ia para casa todas as vezes que os patrões viajavam. Na noite de quarta-feira, Araújo ficou esperando a noiva na casa dos futuros sogros até 23 horas. Ficamos preocupados, mas decidimos aguardar mais um pouco, comenta o pai. Na manhã seguinte, o namorado entrou em contato com Andreia Mazão, filha dos patrões de Iracema, e foram ao apartamento onde trabalhava, encontrando o corpo.
A vereadora Elza Correia (sem partido), membro do Centro de Direitos Humanos, diz: A porta do apartamento não estava trancada, apenas encostada. Só isto já merecia que a polícia investigasse com mais empenho o caso. Eles afastaram com muita facilidade a hipótese de assassinato. Ela acredita que os hematomas encontrados no corpo da doméstica (pernas e braços) não podem ser explicados por um desmaio ou queda.
O advogado da família, Josinaldo da Silva Veiga, acrescenta: A exumação iria esclarecer as dúvidas. Seria bom para todos. Ele esclarece que o pedido de exumação deve partir da Promotoria Pública. Não temos poder legal para fazer o pedido.


