Família quer exames de DNA
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terça-feira, 01 de setembro de 1998
Marccio W. Varella 
O dentista Mauro Rui Pinto Mendes confirmou ontem à Folha que o exame de arcada dentária feito por ele no Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina comprovou que o corpo encontrado em Sertanópolis pertence ao médico Francisco de Assis Coimbra Júnior. Tenho plena certeza que é o Francisco Coimbra, disse o dentista.
Um dente de porcelana colocado por ele em Coimbra Júnior deu a certeza sobre a identificação. Coimbra fez um tratamento comigo entre março de 1995 e no dia 11 de julho deste ano. Como não me lembraria de um trabalho que eu mesmo fiz ao colocar a porcelana no dente 31, isto é, no primeiro molar inferior esquerdo? Além disso, há trabalhos de amálgamas e resinas feitos por mim que eu jamais esqueceria, afirmou Mendes.
Mendes esteve em Londrina às 16h30 de segunda-feira, acompanhado do delegado-adjunto de Maringá Roberto Fernandes. Ele iniciou os exames às 18 horas. As radiografias e o prontuário do tratamento feito por ele em Coimbra foram entregues à dentista-perita do IML de Londrina Isabel Cristina Karstens Kellerö.
A família de Francisco de Assis Coimbra Júnior pediu ao IML de Londrina que faça um exame de DNA para comprovar definitivamente a identidade do corpo. O irmão mais velho de Coimbra Júnior, Francisco de Assis Coimbra, também cardiologista, disse que viu ontem o corpo encontrado em Sertanópolis. Tem tudo para ser meu irmão, mas pedimos que fosse feito um exame genético porque ainda temos um fio de esperança de que não seja ele. Mas não deu para ver o rosto dele. Vi apenas um corpo em decomposição que poderia ser o dele. Mas somos humanos e acreditamos que pode haver uma esperança, disse Coimbra.
A mulher do médico Jorcele Coimbra falou rapidamente à Folha ontem. Enquanto houver uma esperança não vou perder tempo pensando em velório, enterro, essas coisas. Não vi o corpo e não quero vê-lo. Os que viram, parentes e amigos da família, me disseram que estão em dúvida. Quero a confirmação através do exame de DNA. Jorcele estava abatida e pediu que os repórteres não fossem à sua casa.
O delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá Aprígio Cardoso disse ontem que, em casos de morte violenta como a de Coimbra Júnior, o corpo só pode ser liberado após a identificação definitiva. Mesmo porque há um seguro de R$ 240 mil que só poderá ser liberado se ficar comprovado que o corpo é mesmo de Coimbra Júnior. E somente com o laudo do médico-legista é que a família poderá providenciar o sepultamento, afirmou.
Na opinião do delegado Cardoso, fica comprovada a tese da polícia de que o crime foi uma vingança pessoal. Ainda não sabemos de quem. A pessoa com quem o médico conversou na rua antes de desaparecer era sua amiga, caso contrário ele não teria acompanhado o sujeito, considerou. Antes de sumir, em frente à sua clínica na Avenida Independência, no bairro Zona 4, Coimbra foi visto conversando com um homem moreno de terno.


