Família protesta durante velório de aposentada
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terça-feira, 12 de novembro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Familiares e amigos acompanharam revoltados o velório da enfermeira particular Maria Geir da Rocha, 69 anos, ontem de manhã, em Londrina. Ela morreu no sábado, vítima de falência múltipla dos órgãos. A família acredita que a morte tenha sido ocasionada pela contaminação de mercúrio durante cirurgia cardíaca, realizada no Hospital Evangélico (HE) de Londrina, há quatro anos. Na frente da capela mortuária da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), um cartaz demonstrava, em poucas palavras, a indignação dos parentes. ''Erro médico. Morreu a paciente intoxicada com mercúrio no Hospital Evangélico de Londrina!''
Maria deixou quatro filhos. A família move ação contra o hospital pedindo indenização por danos materiais e morais no valor de R$ 800 mil. Até agora a Justiça determinou que o hospital arcasse com as despesas de tratamento médico, o que vinha sendo cumprido nos últimos dois anos. O sepultamento foi às 13 horas de ontem, no Cemitério São Pedro (área central). Foi feita a necrópsia do corpo e o resultado deve sair em 20 dias.
''O hospital e os médicos não admitem a culpabilidade no caso, mas nós vamos continuar lutando pelos direitos da minha mãe. Até a sua morte, travamos uma luta; agora, é guerra'', afirmou o representante comercial Wedson Pereira Geremias, filho da vítima. Na opinião da única filha de Maria Geir, Sueliane, a morte representou um descanso para a sua mãe. Ela teve que abandonar o emprego de recepcionista em um shopping da cidade para se dedicar exclusivamente à mãe. ''Ela não aguentava mais sofrer. No tempo que viveu após a cirurgia, foi internada praticamente 50 vezes para o tratamento de sequelas da contaminação.''
No dia 23 de julho de 1998, Maria passou por uma cirurgia para a colocação de três pontes de safena. A princípio, a cirurgia transcorreu tranquilamente, mas, após receber alta, Maria começou a apresentar problemas renais graves. Segundo relatos dos familiares, uma parente enfermeira da família suspeitou que Maria estivesse contaminada por mercúrio ao perceber o produto escorrendo pelos dedos da mão esquerda, já em estado inicial de necrose. A contaminação poderia ter ocorrido pelo manômetro, aparelho que contém mercúrio e é utilizado para medir a pressão arterial durante a cirurgia e no pós-operatório.
Ao procurar pelo auxílio médico responsável pela cirurgia, a família foi informada que não haveria prejuízos à saúde da paciente em decorrência da contaminação. Como os problemas continuavam, a família voltou a pedir auxílio, sendo orientada a consultar um médico em São Paulo. Este reafirmou que não haveria consequências graves, prescrevendo somente um analgésico o medicamento AS durante seis meses. Sem ver melhora, mesmo seguindo essa orientação médica, a família procurou um especialista em toxicologia, em Botucatu (SP), indicado por um conhecido. O especialista Igor Vassilieff atestou, então, contaminação grave por mercúrio e prescreveu a amputação imediata de partes dos dedos da mão esquerda de Maria Geir para extrair os focos de maior concentração do metal pesado.


