O casal Carlos e Maria Aparecida Galera, de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), costuma dizer que não cria cachorros, cria filhos. Impossível discordar da afirmativa: na casa de quatro quartos em que os dois moram com a filha de 20 anos, 42 cães disputam atenção, pedem comida e dão ao ambiente aquele odor característico. Desde 1982, quando estavam com três anos de casamento, Carlos e Maria recolhem cachorros da rua. ``Só pegamos animais debilitados, que necessitem de cuidados e carinho``, diz Carlos.
Em abril, ele fundou o projeto Proteção aos Animais Rejeitados e Excluídos (Pare), que está precisando de recursos para a continuidade do serviço. ``Entre medicamentos, ração e outras despesas, gastamos cerca de R$ 500 por mês com os cachorros. Acabamos acumulando dívidas que temos que rolar todo mês``, explica Maria. Ela trabalha como monitora na Casa Abrigo de Ibiporã; Carlos é conselheiro tutelar. O que sobra do dinheiro destinado aos cães mal dá para as despesas da casa, localizada na área cetral da cidade. Não que eles se arrependam da iniciativa, claro quem mantém tantos bichos em casa não pode ser apenas mais um amante da raça canina.
``Chamo todos os cachorros pelo nome e eles atendem. Os que estão conosco há mais tempo nunca são doados, já ficamos apegados``, explica Carlos. Maria conta que quando algum animal é doado, o casal mantém contato com a família que adotou o cachorro para se certificar de que ele está sendo bem tratado. Os vizinhos não reclamam. ``Quando mudamos para esta casa (há quatro meses), conversamos com todos os moradores das redondezas e explicamos a situação. Eles não reclamam e respeitam nossa iniciativa``, diz Maria.
Na casa onde moravam anteriormente, os dois chegaram a manter 72 cães. O número de animais se mantém alto porque o ritmo de doações é lento.
``Somos pouco procurados. E, às vezes, quando aparece alguém, já diz, `Ah, quero um cachorro da raça tal`. Mas os animais que pegamos são das ruas, vira-latas. E, muitas vezes, vem nos procurar gente que quer se livrar dos seus cães, mas nosso trabalho é outro``, explica Carlos. Pelo acúmulo de cachorros em casa, o casal lamenta estar impossibilitado de levar todo cão abandonado que encontra na rua para casa. ``Infelizmente, agora precisamos fazer uma triagem``, diz Carlos.
Os dois afirmam que só recebem ajuda da Prefeitura, que vez ou outra doa pacotes de ração e cedeu uma perua para o recolhimento de animais. Este ano, Carlos recebeu um terreno, no Recanto do Engenho, para a construção de um canil. ``Infelizmente, foi só o terreno. Precisaria de uns R$ 19 mil para a montagem de estruturas``, explica.
Para que o Pare siga adiante, o casal pede pouca coisa. ``Não queremos nada do outro mundo. Apenas queremos que as pessoas adotem mais cães, e de forma responsável. Quem não puder fazer isso, que doe um saco de ração, pague uma consulta no veterinário. Quando tivermos um canil, vamos desenvolver campanhas de conscientização, principalmente a respeito da castração, e sobre a forma correta de tratar os animais``, diz Carlos. Voluntários podem entrar em contato pelo telefone (43) 9966-4716.

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