''Ao chegar em casa, estranhei que todas as luzes da casa estivessem acesas, mas nem desconfiei de assalto. Nunca imaginei que o raio fosse cair duas vezes no mesmo lugar'', desabafa João, 55, pai de uma família que sofreu a terrível experiência de ser roubada duas vezes, na mesma casa e em menos de 90 dias.
No último crime, há cerca de um mês, João, a esposa Sônia, 52, e os filhos Amanda, 24, e Murilo, 16 (todos os nomes são fictícios), passaram 40 minutos ouvindo ameaças de quatro adolescentes armados e vendo a casa ser toda revirada. Dois intercambistas mexicanos de 16 anos também experimentaram a violência à brasileira.
''Eram 21h30 quando entrei de carro com meu irmão e os dois estudantes. Os ladrões aproveitaram a garagem aberta e nos renderam. Meus pais chegaram pouco depois e também foram rendidos. Um deles nos disse 'não tenta reagir, porque eu não tenho medo de ir para a cadeia, sou menor e não vai acontecer nada'. Outro falou que já 'mandou três para o caixote''', conta Amanda.
Muito nervosa, Sônia teve que preparar um lanche para os assaltantes, que se diziam famintos. João, que é cardíaco, foi obrigado a manter a calma. Apesar das ameaças, Amanda lembra que conversou com os adolescentes e que os achou brincalhões. ''Disse a um deles que o desodorante que estava levando era para chulé. Ele riu'', relata.
A quadrilha fugiu levando vários equipamentos que João acabara de comprar para repor os roubados, como televisores, DVDs e computador - um prejuízo estimado em R$ 17 mil. Também levaram ''supérfluos'': cosméticos femininos, tênis, quase todo o guarda-roupa de Murilo. O carro da família foi encontrado no dia seguinte, todo amassado e camuflado em uma plantação de trigo.
João acompanhou de perto as investigações e comemorou quando os assaltantes foram detidos. Mas o alívio durou pouco. ''Já estão todos soltos'', lamenta. (V.N.)

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