Dimitri do Valle
De Curitiba
Familiares do bebê Eloir Gabriel Soares Vaz, de oito meses, tomaram um susto na manhã de quarta-feira. Alegam ter descoberto no Hospital de Clínicas, em Curitiba, que a criança, declarada como morta, estava viva. Na noite anterior, parentes do garoto foram comunicados por telefone da sua morte. A informação teria sido passada por uma enfermeira durante o velório do autônomo Eloir Vaz, 23 anos. O rapaz foi morto num acidente de trânsito na tarde de terça-feira quando tentava arrumar doadores de sangue para salvar o filho internado.
A diarista Edelmira Ângela Vaz Gonçalves, que é mãe do autônomo, acredita que o neto ressuscitou. ‘‘O pai deu uma força para ele ressuscitar. Pra mim foi uma milagre de Deus’’, afirmou. Ela contou que a família havia decidido sepultar a criança junto com o pai. A última vez que ela viu Eloir foi quando o filho esteve em casa para sugerir que a mãe doasse sangue para o bebê. A cabeleireira Marielza de Francisco, amiga e vizinha da família, chegou a ir até o hospital para buscar o corpo da criança e o encontrou vivo.
‘‘Fui buscar o neném e quando cheguei no hospital ele estava vivo. A gente ia trazer o menino para ser sepultado junto com o pai. Fomos tristes e voltamos alegres’’, recorda Marielza, que estava acompanhada da mãe do menino, Raquel Gomes Soares. O pai do bebê foi atropelado por um carro na Avenida Marechal Floriano Peixoto, próximo ao quartel do Exército no Boqueirão. O veículo estava desgovernado, capotou e atingiu Vaz em cima da calçada. O autônomo iria pedir auxílio aos soldados que quisessem ser doadores. O bebê estava no Hospital de Clínicas porque nasceu prematuro, entre o sexto e sétimo mês de gestação.
A assessoria do Hospital das Clínicas nega que a criança tenha sido dada como morta pelos médicos. A partir de consulta ao plantão do hospital e à UTI Infantil, a assessoria afirma que um mal-entendido pode ter sido cometido por parte da família.
A versão do hospital é que uma pessoa teria ligado na noite de terça-feira para requisitar informações sobre o paciente, que estaria internado na UTI. Sem saber que se tratava de uma criança, o funcionário de plantão teria passado a ligação para a UTI onde estão internados pacientes adultos. No local, a pessoa que fez a ligação para o HC foi informada que não havia ninguém com o nome de Eloir Gabriel Soares Vaz. Foi a partir do telefonema, segundo a assessoria, que a família do paciente pode ter interpretado que a criança estaria morta, uma vez que não estava na UTI adulta, mas sim na infantil.
O mal-entendido teria sido esclarecido na manhã de quarta-feira, quando uma pessoa da família foi até o hospital e constatou que estava tudo bem com a criança. (Colaborou Giovani Ferreira)

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