A enfermeira Jorcele Coimbra de Maringá, mulher do médico Francisco de Assis Coimbra Júnior, disse ontem à Folha que com o exame de DNA que o Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina encaminhou a Curitiba, foi enviado pedido para seja feito exame de peritagem na coluna vertebral do corpo encontrado em Sertanópolis e identificado como sendo do médico. ‘‘Há 16 anos, quando estudava medicina em Londrina, num jogo de handebol, ele caiu e teve um achatamento com fratura na coluna. Ficou engessado durante quatro meses. Pedimos para verificar a coluna porque se o corpo achado em Sertanópolis for mesmo o de meu marido, deverá ter um calo ósseo no local, ou pelo menos um sinal do acidente’’, disse Jorcele.
‘‘Este é um dado importantíssimo e que pode ajudar na identificação do corpo’’, afirmou ela. Sobre o exame de arcada dentária feito pelo dentista Mauro Rui Pinto Mendes, ela disse que, como enfermeira, considera que é um dado que tem de ser levado em consideração. ‘‘Como mulher, porém, creio que meu marido ainda esteja vivo. Esta é a minha esperança’’, afirmou. Ela lembrou também que uma das irmãs de Coimbra que mora em Londrina viu o corpo achado em Sertanópolis e garantiu que ele não pertencia ao irmão. O exame de DNA fica pronto no final da próxima semana. O exame da coluna deve ficar pronto hoje.
O dentista Mendes disse à Folha que colocou na arcada de Coimbra Júnior uma porcelana no dente de número 36 (primeiro molar inferior esquerdo), e não 31, como foi publicado na edição de ontem deste jornal. ‘‘Os moldes e todas as fichas do tratamento que fiz em Coimbra estão com a perícia do IML de Londrina’’, disse.
O delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Aprígio Cardoso, garantiu ontem que o crime será resolvido. ‘‘Não existe crime perfeito. Nada ficará insolúvel. Estamos correndo atrás das pistas. Em relação a este caso, posso afirmar que se trata de vingança. Foi um crime passional’’.
O delegado Roberto Fernandes, que preside o inquérito sobre o desaparecimento do médico, disse que hoje e amanhã estará nas cidades paulistas de Bauru e Marília, ‘‘aprofundando pistas que já tínhamos antes’’.
Francisco de Assis Coimbra Júnior, 38 anos, desapareceu no dia 22 de julho em Maringá. Ele foi visto pela última vez acompanhado de um homem moreno, de terno escuro. Exame de arcada dentária comprovou que o corpo encontrado pertence ao médico de Maringá.

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