Arquivo FolhaBroncaElizabetha Zanella, a mãe, reclama da morosidade do andamento do processo que investiga a participação dos policiais: ‘‘Fui ingênua em acreditar no que me disseram’’A família do estudante Rafael Zanella, morto durante uma falsa blitz policial na noite de 28 de maio do ano passado, em Curitiba, está processando o governo do Estado por ter responsabilidade na morte do rapaz. A ação de compensação por danos morais, estimada em R$ 5 milhões, foi ajuizada há alguns dias e pretende culpar o Estado pela deficiência e falha no serviço policial que culminou na morte do estudante.
Zanella foi assassinado por engano por policiais do 12º Distrito Policial quando estava indo jogar futebol junto com três amigos, no bairro de Santa Felicidade. Os policiais e um informante da polícia procuravam um suposto traficante de drogas na região quando abordaram o carro dirigido por Zanella. Antes mesmo de poder esboçar qualquer reação e quando ainda estava com as mãos no volante do carro, o estudante recebeu um tiro na cabeça e morreu na hora. Logo após o disparo, os policiais ainda teriam tentado forjar a cena do assassinato, colocando drogas nas roupas e no porta-malas do carro de Zanella. Os três amigos que estavam com ele chegaram a ficar presos durante nove dias no 12º DP sob a alegação de serem traficantes de drogas. Durante a prisão, eles teriam sido ameaçados pelo delegado do distrito, Maurício Fowler, para que não desmentissem a versão ‘oficial’ apresentada pela polícia.
A ação por danos morais está baseada na própria postura adotada pelo governador Jaime Lerner e pelo secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, na época do crime. Com a grande repercussão que o caso tomou na imprensa e com a revolta da população contra a polícia, o governador e o secretário chegaram a ir até a casa da família do estudante para pedir desculpas pessoalmente em nome do Estado pela morte do rapaz. Durante o encontro, o governador prometeu que iria ‘‘moralizar’’ a Polícia Civil e que Zanella seria uma ‘‘bandeira da mudança’’ que ocorreria na segurança pública do Paraná. ‘‘Agora percebo o quanto fui ingênua em acreditar no que me disseram’’, desabafa a mãe de Rafael, Elisabetha Zanella.
A principal reclamação da família do estudante é quanto à morosidade do andamento do processo que investiga a participação dos policiais no assassinato. Ontem, um dos amigos que estavam no carro de Zanella na noite do crime, Odair Ferreira da Silva, e dois peritos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal voltaram a ser ouvidos pelo juiz que preside o caso. O juiz Glademir Vidal Panizzi não permitiu que a Folha tivesse acesso à audiência pública realizada no Fórum Cível de Curitiba.
No final de dezembro, o juiz já havia determinado a constituição de um júri popular para julgar os policiais Airton Adonski Júnior, Jorge Élcio Bressan e Reinaldo Siduovski, além do autor do disparo, o informante Almiro Deni Schmidt. As versões apresentadas pelos participantes do assassinato foram consideradas conflitantes pelo juiz. A data para o julgamento no Tribunal do Júri ainda não foi definida.

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