Família Nixdorf doa acervo de pioneiros à biblioteca da UEL
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Da Redação 
A biblioteca da Universidade Estadual de Londrina (UEL) conta com um novo acervo de livros, documentos, projetos, cartas e objetos que retratam uma boa parte da história da colonização do Norte do Estado, principalmente das cidades de Londrina e Rolândia. O material fazia parte do arquivo do casal de pioneiros Oswald e Hildegard Nixdorf, que veio para Londrina em 1932. A doação à UEL foi feita pelos cinco filhos do casal, dois deles vindos da Alemanha especialmente para a ocasião, e uma prima. O acervo dos Nixdorf estará à disposição no museu histórico Padre Carlos Weiss.
O acervo é das décadas de 30 e 40. São 600 livros de assuntos variados, sendo 90% deles escritos em alemão; 50 revistas e livros técnicos contando a história do Norte do Paraná; quatro caixas de documentos organizados em ordem cronológica a partir de 1930, sobre a colonização de Londrina e Rolândia e os horrores da 2ª Guerra Mundial. Esses documentos estiveram guardados por 10 anos, por precaução de Oswald, que foi prisioneiro de guerra por um ano e perdeu a propriedade rural em Rolândia, depois recuperada.
Entre as raridades do material está um mapa do Norte do Paraná - feito na Inglaterra antes da colonização - e um filme mudo de 1935 sobre Londrina. O filme identifica, através de letreiros, a avenida Paraná com carros de boi e a passagem do trem, entre outros locais. O filme foi comprado por um dos filhos do casal Nixdorf há 15 anos. Pertencia a um professor alemão.
Como curiosidades, o acervo traz alguns objetos usados na época, como máquina de cortar cabelo e uma caixa de costura cheia de agulhas usadas pela própria Hildegard, para retirar bichos de pé dos trabalhadores na volta da roça. Também há um instrumento para medição de terra usado pelos colonizadores. Oswald era agrônomo da Companhia de Terras.
Klaus Nixdorf, o filho mais velho do casal, resolveu fazer a doação à UEL para que a história não se perca. Se não guardarmos, os documentos acabam se perdendo. Na opinião dele, o resgate da história apenas através do relato de pioneiros pode ficar deficiente. Ele justificou a idéia com a experiência tida com a mãe, que morreu em outubro, aos 94 anos. Com a idade as pessoas confundem nomes, fantasiam um pouco a história.
A vice-reitora Nitis Jacon ressaltou a importância desse resgate histórico. Daremos uma importância muito grande, divulgando e preservando todo o material.


