Família não pode ir ao Chile reconhecer corpo
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quinta-feira, 13 de agosto de 1998
Israel Reinstein 
A família da Luciene Ribeiro de Paula está desesperada. Sem dinheiro para poder ir ao Chile, eles não podem fazer o reconhecimento da filha, indispensável para liberar o cadáver e realizar o sepultamento no Brasil. Não temos mais a quem recorrer, procuramos inclusive o Ratinho, que também virou as costas para a gente, nem dando bola para o nosso problema, lamentou-se o pai de Luciene, Paulo de Paula. Enquanto isso, minha filha está lá, quem sabe apodrecendo, chorou. Ontem, a polícia chilena anunciou que tem provas para incriminar Aristóteles Smoraleck Júnior pela morte da jovem.
Paulo contou que a família tentou juntar dinheiro para comprar uma passagem de ônibus ao Chile. Apesar de conseguir R$ 80,00, eles não tinham o suficiente para pagar a viagem de ida e volta a Santiago. Mesmo indo de ônibus, vamos chegar depois de seis dias e talvez seja tarde para encontrar ela inteira, disse a tia da jovem, Rosicler Ribeiro de Santos.
Rosicler queixa-se das polícias civil e federal, que não estariam colaborando com a família. Por ter sido uma situação trágica, a liberação da segunda via dos documentos poderia ser feita de maneira mais rápida, criticou, acrescentando que até ontem a tarde não tinham os documentos em mãos. A embaixada do Chile no Brasil informa que se os parentes conseguirem a cópia das impressões digitais de Luciene e também dos documentos, o consulado brasileiro em Santiago poderá realizar o reconhecimento e a liberação do corpo. Mas a polícia não quer nem agilizar isto para a gente, reclamou.
A mãe de Luciene, Maria Ribeiro de Paula, disse que quer justiça. Aquele cara ficou com meu neto e não quer devolver, gritava, logo após ter tomado mais uma dose de calmantes. A justiça não existe para os pobres, muito provavelmente vai surgir um juiz acusando minha sobrinha pela sua própria morte, avaliou Rosicler.
A polícia chilena assegura que Aristóteles planejou a morte de Luciene, baseado no depoimento de Adriano Alves - um rapaz que o curitibano encontrou na embaixada brasileira. Adriano teria participado do crime, ocultando o cadáver e queimando o carro, alugado pelo casal. Agora o maldito fugiu da cidade, levando a nossa neta, que nem filha dele é, critica se referindo a Aristóteles.
Paulo de Paula disse que hoje vai tentar pedir emprestado dinheiro de amigos. Se não der quero que algum político me ajude, me dando uma passagem que vai sair mais barato que milhões gastos na campanha eleitoral.


