Família não entende mortes
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quarta-feira, 22 de julho de 1998
James Alberti 
Os cerca de 1.200 moradores da localidade de Cachoeira, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, não conseguem compreender o que levou a doméstica Ana Dominguita Ferreira, 25 anos, a matar o filho Jackson, de três anos, e depois cometer suicídio com a ingestão de veneno. O crime chocou a vila agrícola. Ontem à tarde, durante o enterro no cemitério de Cachoeira, uma pergunta se ouvia entre as lágrimas dos familiares: Por que ela fez isso?
O homicídio seguido de suicídio aconteceu anteontem, às 17 horas, no apartamento 1.102 de um edifício da Travessa Ferreira do Amaral, no bairro Água Verde em Curitiba. Ana Dominguita trabalhava há dez anos como empregada doméstica da família de Edenilson Marcos Vidal. Os filhos de Vidal encontraram os dois corpos no quarto da empregada. O menino estava deitado na cama e Ana estava no chão do quarto.
O vereador Elias Vidal, pai de Edenilson, disse que Ana estava alegre dias antes do crime e que não tinha nenhum motivo aparente para cometer o crime e se matar. Ela não tinha problemas de saúde nem houve nenhuma briga, contou o vereador. Edenilson e a mulher Rosângela estavam muito abatidos e não conseguiam falar. Ela (Ana) não era apenas uma empregada. Ana criou os meus netos e era como se fosse uma irmã da Rosângela, disse Elias Vidal.
Nascida em Cachoeira, numa família de cinco irmãos, Ana perdeu o pai, foi mãe solteira, mas demonstrava estar de bem com a vida. Ela esteve em casa no final de semana e estava tudo normal, contou o motorista Pedro Ferreira, um dos irmãos da doméstica. Eu não entendo e nem ninguém entende como isso aconteceu, disse.
Ministro da localidade e vereador por São José dos Pinhais, Arnaldo Woitch, acha estranho que uma pessoa com o comportamento de Ana tenha tido uma atitude assim. É muito estranho. Ela era muito alegre, estava sempre contente. Para Woitch, não havia motivos que justificassem o crime e o suicídio. Isso causou grande impacto aqui. Pegou todo mundo de surpresa.
Exames do Instituto de Criminalística no líquido Dimy 200 CE, específico para plantas, encontrado no quarto da doméstica, devem esclarecer a causa da morte. Conforme um funcionário da Delegacia de Homicídios, os exames devem demorar mais de 10 dias para ficar prontos.Kraw PenasNo enterro da doméstica Ana Dominguita Ferreira e de seu filho Jackson, os familiares estavam desolados. Jovem alegre, ninguém conseguia entender a causa do suicídio de AnaÉ muito estranho.
Ela era muito alegre,
estava sempre
contente, diz amigo


