Todos os sábados à tarde, Maria de Lourdes Peres (Lurdinha) vai com a filha Vera Lúcia e o neto Matheus à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) para fazer um trabalho de evangelização com cerca de 12 presos. As duas pertencem ao grupo espírita Paulo de Tarso, formado por seis pessoas.
Mas por causa da rebelião na PEL no último dia 13, as atividades do grupo foram suspensas neste mês. Como presente de Natal, mãe e filha gostariam de dar um abraço nos presos. ‘‘Como isso não será possível, queremos mandar um Feliz Natal para eles através do jornal’’, disse Maria de Lourdes. Todos os anos, elas recebem cartões dos presos. ‘‘No Natal passado, um detento chamado Paulo deu marcadores de livros para todos os integrantes do grupo’’, contou Vera.
Até Matheus, seu filho de dois anos, recebe cartões de Natal confeccionados pelos presidiários. Sem autorização para ir a sala onde ficam os detentos, Matheus aguarda no saguão, com a mãe ou com a avó, que se revezam nos cuidados ao garoto.
O motivo da ida do menino à penitenciária é explicado pela avó como um ato de amor. ‘‘Mesmo não podendo chegar até eles, os presos sabem que uma criança saiu de casa para vê-los. É uma demonstração de carinho’’, afirmou Lourdes.
‘‘Os presos conhecem o Matheus por fotos e no Natal, aniversário e Dia das Crianças fazem cartões para ele. É um modelo mais bonito que o outro’’, disse Vera. Segundo ela, o filho está aprendendo nas visitas sobre a importância da caridade.
Há dez anos, Maria de Lourdes desenvolve algum tipo de serviço voluntário, uma vez por semana. ‘‘Já atuei no albergue, asilo e instituto de câncer. Estou adorando a experiência na penitenciária. Além de ensinar o evangelho, conversamos e ouvimos os presos’’, afirmou. Ela disse que vários deles são carentes e foram ‘‘esquecidos’’ pelas famílias. ‘‘Para mim, a visita aos detentos não é obrigação e muito menos dever. É uma alegria.’’

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