Família londrinense é resgatada no Japão
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quinta-feira, 16 de julho de 1998
Benê Bianchi 
Mais quatro londrinenses resgatados no Japão chegaram ontem ao Brasil. Ilsa Kurokava e as filhas Elis, 16 anos, Érica, 12 e Elisa, 11, desembarcaram ontem pela manhã em São Paulo e viriam para Londrina após passar por exames médicos. A família de Ilsa não sabia o horário exato da chegada, mas a previsão era de que a mãe e os filhos saíssem de São Paulo no final da tarde.
Os quatro londrinenses estavam no Estado de Gunma, na cidade de Oizumi, há cerca de seis meses. Segundo informações de familiares, a mãe e a filha mais velha viajaram com a promessa de que teriam emprego ao chegarem no Japão.
Mas isso não ocorreu e a família vinha passando necessidade. Ilsa teria sido rejeitada no trabalho por ser obesa e teve que arrumar emprego por conta própria para poder sustentar as filhas. A família não quis informar o nome da pessoa que intermediou a viagem.
Eles foram resgatados por uma operação coordenada pela Associação dos Imigrantes no Brasil (Asibras), e com apoio da Vasp e Nipomed, que têm trazido de volta os dekasseguis que estão sem emprego e em condições precárias naquele país.
De acordo com familiares, Ilsa está com problemas nas pernas e a filha mais velha, com problemas no pulmão. Segundo o assessor de imprensa da Nipomed, Amauri Yamasaki, uma das filhas menores também chegou ao Brasil com fortes dores de garganta. Elas foram consultadas e medicadas.
Ainda de acordo com Yamasaki, no vôo que chegou ontem de manhã do Japão vieram nove dekasseguis. Estava prevista a vinda de 11, mas duas não embarcaram - uma estava com o pai adoentado e a outra não conseguiu reunir a documentação. A Asibras já resgatou 12 brasileiros no Japão.
Há pouco mais de 15 dias, a irmã de Ilsa, Ivonete Kurokava Garcia, 28 anos e o marido Vladimir retornaram da mesma cidade, também após passarem momentos bastante difíceis. Segundo Ivonete, o casal viajou dia 28 de fevereiro, chegando em Tóquio dia 2 de março. A promessa era de que trabalhariam numa firma de auto-peças. Ele ganharia R$ 12,00 por hora e ela, R$ 9,00.
Quando nós chegamos tinha um homem nos esperando no aeroporto. No mesmo vôo foram outros dekasseguis. Ele nos levou para uma casa num local estranho, distante de Tóquio umas duas horas e meia, de carro, conta Ivonete. Na casa, ficaram cerca de 10 pessoas e lá já moravam mais 10.
Ivonete relata que uma moça lhe contou que estava no Japão há alguns dias e estava passando até fome. A moça falou que tudo eles cobravam - um marmitex era R$ 5,00 - e que não tinha emprego para ninguém. Também disse que o pessoal da empreiteira tirava nossos passaportes e a passagem de volta ao Brasil. Assustados, Ivonete e o marido deixaram a casa na mesma noite. Passamos três dias na casa de um conhecido e depois fomos para a casa de uma irmã que ainda está no Japão.
Por conta própria, Ivonete e o marido conseguiram emprego, mas os planos de guardar dinheiro não foram realizados. Lá está muito difícil. Não tem emprego, o salário está baixo e não tem mais horas-extras como antes. Outro fato ressaltado por Ivonete é que a dívida dos dekasseguis com as empreiteiras se tornam bastante alta. Segundo ela, quando saiu do Brasil com o marido, juntos os dois deviam cerca de US$ 6 mil. Lá, não sei porque, a dívida saltou para US$ 9 mil. O casal retornou ao Brasil após um acordo entre a empreiteira e o consulado do Brasil no Japão.
Ilsa e as filhas não são as primeiras londrinenses a serem trazidas de volta pela Operação Resgate. Semana passada, chegou à cidade Lucimara Alves Wagima, 26 anos, que há vários meses passava dificuldades por causa de exploração no trabalho e o baixo salário.


