Família invade terreno para fugir de traficantes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de abril de 1998
Benê Bianchi 
Mais um terreno particular foi invadido em Londrina. Desde o mês passado, E.C.S., 33 anos, o marido P.S.R., 32, e seis filhos - todos menores de idade - estão ocupando uma área nobre da cidade, próxima ao Hotel do Lago, região central. A família diz ter sido expulsa do terreno que ocupava no assentamento João Turquino (zona oeste), ao lado do jardim Olímpico, por traficantes.
Eles invadiram meu terreno e levaram tudo que eu tinha. Disseram que se a gente não saísse de lá iriam estuprar minha filha mais velha (de 14 anos), relata a mãe. Segundo ela, os traficantes ainda teriam ameaçado o marido de morte. Mesmo admitindo que P.S.R. é usuário de droga, ela afirma que ele não tinha dívidas com os traficantes.
Segundo E.C.S., os traficantes teriam entrado na sua casa e ameaçado o marido com um revólver. Mesmo assim, a família continuou no local até que voltaram e roubaram tudo que havia dentro do barraco. Meu marido acabou fugindo, mas eu fiquei lá com as crianças. Até que numa manhã, às 6 horas, eles entraram de novo e disseram que iam estuprar minha filha. Peguei só uma bolsa e as crianças e saí, garante. Ela diz que não conhece o rapaz que queria namorar sua filha. A menina também diz que nunca conversou com ele.
A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) já tomou conhecimento do caso da família e diz que está procurando uma área para abrigá-la. Os únicos lotes disponíveis que temos, no momento, são no João Turquino e não podemos mandá-los de volta para lá, comenta Humberto Lima, responsável pelo departamento social da Cohab.
Segundo ele, a companhia já ouviu algumas conversas sobre a ação dos traficantes no assentamento, mas quando consegue localizar as vítimas elas não falam do assunto, por medo. Na maioria das vezes, a gente ouve essas conversas dos vizinhos do pessoal que deixou a área, mas não temos dados concretos.
Em Londrina existem, atualmente, cerca de 230 famílias ocupando terrenos particulares de forma irregular. As áreas públicas são ocupadas por 1.103 famílias.


