Arquivo FolhaFatoToni Reis, do grupo Dignidade: pesquisa mostra que apenas 25% das famílias conservam o perfil convencionalParceria Civil Registrada, direito à maternidade ou paternidade e espaço religioso para discussão e defesa dos direitos dos homossexuais. Estas foram as principais propostas levantadas pelos participantes do 1º Encontro da Família Gay, que aconteceu em Curitiba neste final de semana. Segundo Toni Reis, secretário geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, a proposta do encontro é mostrar que a família homossexual existe de fato e quer ser reconhecida.
Além de psicólogos, biólogos e sociólogos, participaram do encontro casais de lésbicas e de gays, assim como pais homossexuais, dando relatos de suas experiências. Eles analisaram também as relações dos homossexuais com seus familiares consanguíneos e o tipo de família que constroem.
Segundo a Associação, um levantamento feito em 1994 no Brasil indica que 600 mil homens e quatro milhões de mulheres cuidam sozinhos dos filhos e 50% dos casamentos heterossexuais terminam em divórcio. Para Toni Reis, isso mostra que quem está desestruturando a família convencional não são os homossexuais.
As famílias alternativas, diferentes do núcleo familiar convencional composto por pai, mãe e filhos, já não são minorias. Segundo dados levantados pela Associação, apenas 25% das famílias brasileiras conservam este perfil, as restantes se dividem em famílias de casais separados, mães solteiras, avós que criam netos e outra série de combinações. Sem fazer parte das minorias, as famílias gays querem deixar de ser excluídas.
O número cada vez maior de homossexuais que assume esta condição é considerado uma demonstração de cidadania, assim como a luta pelo reconhecimento legal da família gay. A Associação deve iniciar uma campanha pelo direito à adoção de crianças de orfanatos. Na Carta de Curitiba, os 62 participantes do encontro pedem que sejam preservados os direitos humanos dos gays, ‘‘considerando que homossexualidade é legal, não é doença, nem pecado’’. Reivindicam ainda que a legislação brasileira inclua a Parceria Civil Registrada, reconhecendo as uniões entre homossexuais e garantindo o direito a maternidade e paternidade para lésbicas e gays.
A carta termina propondo que os homossexuais ‘‘promovam discussão em suas igrejas sobre ética em relação à homossexualidade e a criação de comunidades religiosas e pastoral específica para os grupos sexualmente discriminados’’. O próximo Encontro da Família Gay vai ser marcado durante o 1º Congresso de Direitos Humanos da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis, que acontece em julho no Rio de Janeiro.

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