Família garante: Godoy é bem tratado
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sexta-feira, 29 de novembro de 1996
Luka Morais 
A administradora da fazenda Santa Helena, no distrito do Espírito Santo (zona sul de Londrina), Josyê Rose Baxhix Godoy, convocou ontem pela manhã uma coletiva com a imprensa com o objetivo de mostrar que o pioneiro e agropecuarista Olavo Godoy, 84 anos, está lúcido e bem tratado. Estão fazendo acusações maldosas, caluniosas e contra isso vamos tomar providências, disse Josyê.
Ela e seu marido, Álvaro, sobrinhos de Godoy, foram denunciados ao Ministério Público por nove empregados da propriedade, que os acusam de praticar maus-tratos contra o pioneiro. Também foi instaurado inquérito contra o casal para apurar denúncias de que maltratavam os empregados e desrespeitavam direitos trabalhistas. Há inclusive acusações de trabalho escravo na fazenda.
Os promotores Antônio Winkert, Carla Moretto Maccarini e Paulo César Tavares estiveram na fazenda dia 13, acompanhados de dois médicos e fiscais do Ministério do Trabalho, mas só puderam manter contato com Olavo Godoy do lado de fora do portão da sede. Os sobrinhos não estavam na fazenda. Eles não foram impedidos de entrar. Se tivessem a cortesia de avisar antes ou aguardar meu retorno, seriam recebidos, disse Josyê.
Sempre tentando conduzir as entrevistas e chamando a atenção de Olavo Godoy com um sonoro alô, antes de cada pergunta, Josyê Godoy fez questão de ouvi-lo afirmando a quem seria destinada sua herança. Para Josyê, Álvaro e Fellipe (9 anos, filho do casal), respondeu Godoy.
Com a saúde debilitada por problemas cardíacos e pulmonares, dificuldades para movimentar-se sozinho, usando aparelho no ouvido e acometido de mal de Parkinson, o pioneiro alternou períodos de lucidez e idéias confusas, sempre relacionadas à fazenda. Ele afirmou que vem sendo bem tratado pelos sobrinhos, manifestou o desejo de receber visitas e de que sua fazenda seja mantida intacta.
Estou vivendo à medida do possível, mal porque não tenho podido lidar com o gado, mas ele está bem zelado, disse o pioneiro. Ele disse que deixou em seu testamento a determinação para que não mexam na estrutura da fazenda em geral. Afirmou que Josyê e Álvaro exercem o perfeito exercício da fiscalização e não deixam a fazenda ser destruída. E acrescentou: Seguramos isso com ferro e fogo para não estragarem a fazenda.
Sobre o projeto que a administradora Josyê Godoy pretende implantar no próximo ano, transformando a fazenda Santa Helena em um hotel-fazenda, o pioneiro comentou: É uma coisa muito complexa. Ela já tem vida humilde, silenciosa e quieta. Zelamos bem dela. Não pensei ainda em fazer um hotel. Não conversamos sobre isso.
Josyê Godoy disse que o projeto do hotel-fazenda, única forma de preservar a área, só não foi colocado em prática ainda por causa dos processos que correm na Justiça. Desde o ano passado a fazenda Santa Helena vem sendo envolvida em questões trabalhistas, tendo sempre a frente a administradora da fazenda, Josyê Godoy. No final de 95, o Ministério do Trabalho multou os proprietários da fazenda por precariedade da moradia coletiva dos trabalhadores e falta de controle de horário de trabalho para os funcionários.
Em janeiro deste ano, 10 dos 35 trabalhadores da fazenda Santa Helena foram demitidos e, em março, três famílias foram despejadas sem receber os salários atrasados desde o mês de dezembro do ano passado e sem rescisão de contrato de trabalho. Uma das famílias despejadas é a do agricultor Antônio Rodrigues, 41 anos, nascido na fazenda e com 36 anos de carteira de trabalho assinada pela família Godoy.


