No próximo domingo faz um mês que o agropecuarista londrinense Mário Fuganti Júnior (conhecido como Marinho), 40 anos, foi morto em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), em uma fazenda da família, mas até agora o crime não foi esclarecido. Na semana passada, a polícia chegou a cogitar a possibilidade de vingança, divulgando que a vítima teria ligação com um homicídio ocorrido em Londrina há 18 anos. A família Fuganti contesta a informação, e afirma que Marinho nunca se envolveu em nenhum homicídio.
''Uma vez ele estava em uma casa noturna e houve uma briga. Ele tentou apartar e apontaram uma arma para ele. Para se defender, ele também sacou uma arma e desferiu um tiro, que pegou de raspão em uma pessoa. Não houve homícidio, ele foi inocentado do processo pela justiça aqui de Londrina'', afirma a irmã do agropecuarista, Bárbara Elizabeth Fuganti.
Ela também descarta a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte), já que Marinho recebeu um tiro no pescoço próximo à porteira da fazenda, a cerca de um quilômetro da sede, e só depois os dois homens, que chegaram à propriedade em uma motocicleta, foram para a casa e renderam os funcionários. Os criminosos levaram R$ 1,5 mil, um GPS (aparelho de rastreamento por satélite), um binóculo de visão noturna, um relógio Rolex, um anel de ouro e dois aparelhos celulares.
Para a irmã do agropecuarista, a causa do crime deve estar relacionada à fazenda. Bárbara disse que o irmão não tinha inimigos. ''Ainda está tudo muito confuso, há muita coisa mal explicada. Deve ter gente que sabe mais do que revelou à polícia. Se a intenção fosse executá-lo, teriam atirado na cabeça. Ele não morreu na hora, provavelmente demorou horas. Havia marcas de tortura e sinais de luta corporal.''
Bárbara pede que as pessoas que souberem de algo que possa ajudar nas investigações liguem para a polícia, mesmo que seja sem se identificar. A Polícia Civil recebe denúncias anônimas pelo número 197 e a Polícia Militar pelo número 181.
A Folha apurou que os 1.280 alqueires da propriedade onde aconteceu o crime haviam sido deixados de herança pelo avô de Marinho, mas uma cláusula do testamento permitia a venda da fazenda apenas quando o neto completasse 41 anos, o que deveria ter acontecido no último dia 26.
Ontem o delegado de Ortigueira, Durval Athayde Filho, disse não poder revelar detalhes das investigações, que estão sendo conduzidas por dois agentes da Divisão Policial do Interior (DPI).

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