Família faz denúncia contra Maternidade Municipal
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terça-feira, 27 de dezembro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
O Conselho Tutelar da Zona Norte apresentou ontem à tarde, ao Ministério Público (MP), denúncia de erro médico contra a Maternidade Municipal de Londrina. Segundo a denúncia, após ter seu bebê no dia 8 de novembro e receber alta hospitalar, uma adolescente de 14 anos continuou sentindo cólicas e febre alta. Doze dias depois do parto normal de uma criança prematura de sete meses, a jovem foi encaminhada ao Hospital Universitário de Londrina (HU). Uma ultra-sonografia teria constatado que os médicos não retiraram restos de placenta.
A jovem mora no Conjunto Luiz de Sá (Zona Norte). A avó da adolescente, Juraci Carmo dos Santos, 68 anos, afirmou que 48 horas depois da alta, a garota começou a ter fortes cólicas e febre alta.
''Ela ficou em casa tomando remédios para ver se as dores paravam. No HU, eles fizeram uma ultra-sonografia, que viu que tinha placenta no útero. Aí levaram a menina para a cirurgia, tirando um pouco desses restos. Deram alta para minha neta, com a recomendação de voltar para retirar o que sobrou porque não dava para tirar tudo de uma vez'', contou Juraci.
A aposentada acrescentou que oito dias depois de receber alta do HU, a neta teve hemorragia e febre alta porque ainda estava com restos de placenta, que foram retirados com nova intervenção. ''Agora ela só tem um pouco de coágulo, mas está bem, graças ao pessoal do HU. Vi que a minha neta ia morrer'', afirmou Juraci, temendo que a neta corra risco de ficar estéril.
O conselheiro do Conselho Tutelar da Zona Norte, Luciano Lopes, que está acompanhando o caso, afirmou que o órgão já requisitou cópias dos prontuários de atendimento da adolescente na maternidade e no HU, que devem ser anexados ao processo de investigação. A queixa foi registrada no último dia 21 na 10 Subdivisão Policial (10 SDP), solicitando a abertura de inquérito policial.
Lopes disse ainda que o órgão ficou sabendo que, anteontem, o bebê de uma mulher, que teve um pré-natal sem intercorrências, morreu no parto. A criança, aparentemente era saudável, com 51 centímetros e cerca de 3 quilos.
O diretor geral da Maternidade Municipal, Rodrigo Avanso, disse que ainda não tinha sido comunicado oficialmente sobre as duas denúncias. ''No caso da adolescente fiquei sabendo por alguém da imprensa, mas não recebemos nenhuma queixa da família. Estamos aqui para que os familiares venham falar conosco'', comentou Avanso.
Ontem à tarde, Juraci e a neta foram recebidas pela promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares. ''Faremos um procedimento administrativo padrão, solicitando os prontuários médicos da Maternidade e do HU, ouvindo os profissionais envolvidos nos atendimentos prestados à adolescente'', frisou.
Conforme o promotor, se ficarem constatadas falhas assistenciais por parte da Maternidade, além dos procedimentos judiciais cabíveis, a promotoria vai encaminhar os documentos e as provas apuradas durante a investigação ao Conselho Regional de Medicina (CRM). (Colaborou Erika Zanon)


