A família de Paulo Farias de Souza, 61 anos, há cinco anos vive uma rotina de risco e desconforto. O fornecimento de energia elétrica da casa foi interrompido em 1997, devido a faturas que não pôde quitar. Com os juros do período, hoje Souza deve à Copel R$ 1.180,00, ''sem a atualização'', frisou uma funcionária da empresa.

Um contexto de dificuldades econômicas, do qual são reféns milhões de brasileiros, impede que a família Souza consiga saldar sua dívida e a priva da energia elétrica. Desempregado, com problemas de saúde, Souza vive com a mulher, quatro filhas e três netos em condições precárias no conjunto Maria Cecília, zona norte de Londrina.

Hoje apenas uma das filhas está empregada. ''Ela conseguiu o emprego estes dias'', conta Maria de Souza, 49 anos, auxiliar de cozinha desempregada, mulher de Souza. Para sobreviver a família conta com o recebimento de cesta básica da Provopar.

Para driblar a falta de luz em casa, a família acende velas durante a noite. ''Na hora do jantar acendo quatro, depois apago e ficamos com duas acesas'', afirma Maria de Souza. Para Maria de Souza a maior dificuldade imposta pela falta de energia é o desconforto e o perigo a que ficam expostos com as velas.

''Nestes anos levei pelo menos dois sustos grandes. Uma vez minha filha, com 13 anos, foi passar perfume perto de uma vela e pegou fogo em seu corpo. Seu peito ficou todo queimado'', conta. ''Em outra ocasião, uma vela queimou a cortina do quarto das crianças. Levei um susto enorme e com medo que o fogo atingisse a fiação elétrica.''

A falta de geladeira, a televisão ligada em bateria que precisa ser recarregada a cada 10 dias, o banho frio ou com água esquentada na boca do fogão, o breu a noite, fazem parte da rotina da família.

Segundo Souza, há três meses ele tentou negociar a dívida junto à empresa, mas não teve sucesso. ''Eu teria que dar uma entrada de R$ 380,00 e o restante da dívida seria dividido em parcelas de R$ 103,00. É impossível pagarmos isto'', afirma.

Ele reclama ainda de duas faturas com valores muito altos: uma de R$ 224,00 de outubro de 1996 e outra de R$ 104,00 de dezembro de 1996. ''Eu fui lá (na Copel) reclamar, mas disseram que estava registrado no computador então era aquele valor mesmo'', conta Souza.

Roberto Braga, vizinho de Souza e que está tentando ajudá-lo a pagar sua dívida, afirma que além das faturas com valores muito acima da média de consumo, os juros cobrado pela Copel são muito altos. ''Do total da dívida, R$ 640,00 são referentes a juros'', afirma. ''A família quer pagar o que deve, mas nestas condições é impossível''.

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