Família espera uma resposta da justiça
Se a avenida Colombo coleciona histórias, nenhuma talvez tenha tanta repercussão quanto a do atropelamento da estudante Fabíula Regina Coalio, no dia 13 agosto de 2003. ''A gente ia pegar um filme na locadora. Ela foi indo para atravessar a rua e eu voltei para fechar a porta do prédio. Ela parou para esperar um carro e atrás vinham dois rapazes tirando racha e atropelaram ela quase na calçada. Foi tudo muito rápido'', lembra a funcionária da família, Roselene Pereira.
Fabíula, que tinha recém completado 12 anos, foi atingida por um dos veículos. Eram cerca de 19h15. Segundo testemunhas, ambos estariam com os faróis desligados e teriam fugido do flagrante. Conforme noticiado pela imprensa local e confirmado pela família da garota, o motorista de um dos veículos foi detido horas depois e ficou três dias preso. O outro, que atropelou Fabíula, se apresentou alguns dias depois, confessou o crime, mas não chegou a ser detido.
''Isso já faz três anos e meio e nada aconteceu com eles. Nem perderam a carteira. Continuam aí, dirigindo'', desabafa a mãe da garota, Márcia Regina Coalio. Ela estava no estabelecimento comercial da família e por pouco não viu o acidente. ''Foi dois minutos até eu atravessar a Colombo e pegar minha filha morta no chão. Todos os dias eu lembro dela. Penso como ela estaria linda se estivesse viva''.
O processo movido contra o motorista deve ser levado a júri popular. ''Está correndo na última instância. Queremos que eles sejam julgados aqui em Maringá, ao contrário do que eles pretendem. Estão sendo indiciados por homicídio doloso. Foi uma atrocidade tão grande, que até a reconstituição do crime foi feita. Pararam a Colombo e colocaram mais de duas mil pessoas para simular'', diz Márcia.
Enquanto espera pela justiça e tenta ser firme, Márcia - talvez sem perceber -, vai curando a ferida repartindo sua atenção pelo resto da família. ''Meu marido teve derrame depois disso. Meu filho mais velho, hoje com 22 anos, não entende como uma pessoa pode fazer isto. E meu menino mais novo, com 16 anos, era apegado à Fabíula e ainda sofre muito. É difícil de consolá-lo''. Emocionada, ela ainda tenta entender o que aconteceu. ''Não quero nada além de justiça. Essas pessoas estavam fazendo algo ilegal e precisam ser punidas por isso. Só não consigo acreditar como ainda podem estar dirigindo pelas ruas''. (G.B.)





