Família espera Dione há cinco anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 1998
Lúcio Horta 
Manhã do dia 28 de outubro de 1993. O adolescente Dione Everton de Oliveira, então com 16 anos, saiu da casa, no Jardim Sebastião de Melo César, zona norte de Londrina, com uma missão: avisar o patrão do pai que ele não poderia trabalhar naquele dia. Estava doente. O destino do garoto era uma chácara que fica no Jardim Paraíso, também na zona norte.
Dione atravessou a Rodovia Carlos João Strass e, de lá, pegou atalho até a chácara, no Jardim Paraíso, também zona norte. Missão cumprida, ele partiu de volta para casa. Encontrou alguns conhecidos no caminho, com quem conversou rapidamente. Depois, inexplicavelmente, sumiu, sem deixar qualquer pista. Nunca mais voltou para casa.
Quase cinco anos depois, a família de Dione mantém viva a esperança de reencontrar o garoto. Eu vou ter ele de volta. Tenho certeza absoluta disso. Enquanto Deus me der forças, vou continuar procurando, afirma com convicção Maria Madalena de Oliveira, 45 anos, mãe do rapaz desaparecido e de outros quatro filhos. Ele está vivo. Se a gente conseguir alguma divulgação sobre ele, no Brasil inteiro, a gente vai encontrar. É só ter oportunidade que vai dar certo, acrescenta Rosemeire de Oliveira, 24 anos, irmã de Dione.
ReproduçãoDione Everton de OliveiraRosemeire diz que o objetivo da família, hoje, é levar o caso para o programa do Ratinho, exibido pela Rede CNT, que tem grande audiência em todo território nacional.
Ela acredita que assistindo ao programa, o irmão ou as pessoas que estiverem ligadas a ele atualmente vão entrar em contato com a família. Mas, por enquanto, ainda não pôde falar com a produção do programa porque o telefone só dá ocupado.
Nestes cinco anos, a família fez várias viagens a procura de Dione, como Curitiba, São Paulo e Camboriú (SC). Qualquer pista ou possibilidade de encontrar o garoto, por mais improvável que fosse, era cuidadosamente investigada.
Enquanto Dione não volta para casa, a família se conforta com as poucas fotos dele e também com as lembranças. Maria Madalena garante que o filho era um grande companheiro, que a ajudava em tudo o que fosse preciso. Ele era um menino honesto, trabalhador, dedicado. Ia comigo na igreja e vendia o salgadinho que eu fazia. Até hoje o conjunto inteiro pergunta se a gente tem notícias dele. Era um bom amigo, diz.
A família hoje não tem noção de como estaria Dione adulto - o rapaz teria 21 anos de idade. Mas isso faz pouca diferença, segundo a mãe. O mais importante, ela afirma, é que o filho esteja bem. E que um dia consiga realizar todas as suas vontades. O sonho do Dione era fazer um curso de torneiro mecânico e depois arrumar um bom emprego. Ele queria trabalhar no que gostava. Espero que esse sonho se torne realidade.


