Família escapa de desmoronamento
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terça-feira, 30 de setembro de 2003
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba A dona de casa Marilda Linhares, o filho de quatro meses, o neto de cinco anos e uma amiga quase foram ''engolidos'' por um buraco de cinco metros de profundidade que se abriu na sala de sua casa. O incidente aconteceu no início da noite de segunda-feira, em um condomínio residencial em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A casa foi construída, há quatro anos, em cima de um canal pluvial, que com o passar dos anos acabou virando um esgoto. Durante esse período, a terra foi arrastada pela água, restando apenas a laje, sem apoio nenhum. Segundo a Defesa Civil, a residência vizinha também está sob risco.
''Foi uma questão de segundos. Quando ouvimos o barulho já pegamos as crianças e saimos correndo. O carrinho do bebê, inclusive, foi para o buraco'', contou Marilda. Nem a família de Marilda e os moradores das outras sete casas do condomínio tinham idéia do que se passava por baixo de suas residências.
Todas as casas são financiadas pela Caixa Econômica Federal e muitos proprietários ainda estão efetuando o pagamento. O construtor responsável pela obra, Carlos Henrique Gonçalves, afirmou não saber que aquele canal passava por lá e que tem toda a documentação solicitada para a construção do condomínio.
O secretário de Urbanismo de São José dos Pinhais, Carlos Berti, explicou que aquela é uma rede de pequeno porte, por isso a prefeitura não tinha conhecimento. ''Os construtores sempre assinam um termo em que se comprometem a repassar todas as informações do terreno. Não temos como controlar o que acontece em cada pequeno lote'', argumentou. Quanto ao fato de a galeria, que deveria ser pluvial ser na verdade um esgoto, Berti disse que a rede é uma ligação clandestina. A prefeitura já está providênciando o desvio emergencial da galeria.
O construtor já se responsabilizou pelo dano e alugou uma nova residência para a família Linhares. Segundo Marilda, ele assumiu o que restava do financiamento de R$ 300 por mês, o aluguel da nova casa e a compra de uma outra residência que a família ainda vai escolher. ''Não podemos ficar aqui, correndo risco. A nossa casa já está com rachaduras e a tubulação do banheiro já cedeu toda'', reclamou o autônomo João Carlos Januário.


