Uma operação de despejo chamou a atenção dos moradores da Vila Torres, uma comunidade carente da Capital, e pessoas que passavam pelo local na manhã de ontem. Acompanhado por dezenas de policiais militares, o oficial de Justiça Altamir José Narciso cumpriu a ordem de reintegração de posse de um imóvel pertencente à Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab).
A família, composta por cinco pessoas, teve todos seus bens retirados do imóvel. Eles foram notificados da pendência junto à Cohab há dez anos e não regularizaram a situação desde então. De acordo com Narciso, J.B., responsável pelo imóvel, tentou financiar o imóvel junto à companhia, mas foi impedido por ter outro imóvel registrado em seu nome.
O oficial de Justiça realizou uma tentativa de reintegração de posse há oito meses, mas não obteve sucesso devido à resistência da comunidade. Para evitar novo confronto e a reação da comunidade, foi solicitada desta vez escolta policial. No momento do despejo, os integrantes da família estavam nervosos e não quiseram conversar com a reportagem da FOLHA. Eles apenas informaram que J.B. esteve na Cohab para tentar novamente regularizar a situação.
De acordo com diretor administrativo e financeiro da Cohab, João Elias de Oliveira, J.B. comprou o imóvel em 1990 e pagou apenas duas prestações. Após dez anos de tolerância, em 2000, a companhia cancelou o contrato para dar entrada com o processo judicial.
"Há dez anos criamos um setor de relacionamento com o cliente, justamente para organizar e conversar com os inadimplentes. Passamos a aceitar contratos de gaveta e fazer mediações com a Justiça Federal. A Cohab tem uma política de aceitar aquilo que a pessoa pode pagar, sem juro nenhum. Mas, uma vez acionado o setor jurídico, a questão passa a ser com a Justiça, como foi nesse caso", explica Oliveira. Ele diz que J.B. foi chamado inúmeras vezes, mas não apresentava os documentos necessários e continuava sem pagar as prestações.
Segundo ele, a ação judicial de reintegração do posse pode levar até sete anos para ser concluída. Nesse período, o mutuário ainda pode procurar a companhia para negociar os valores devidos. "Por dever de ofício somos obrigados a tomar todas as medidas para que o dinheiro público seja respeitado. Mas, para a reintegração, o oficial de Justiça, que nesse caso chegou a ser destratado, tem força de lei para acionar o apoio da polícia", afirma.

Cancelados
Dados da Cohab apontam que pouco mais de 2% dos contratos da companhia chegam a ser cancelados. "Atualmente temos 45 mil contratos vigentes e mil ações protocoladas na Justiça. Isso porque a nossa tolerância chega a ser exagerada", conta o diretor.

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