A desempregada Márcia Regina Alves Rodrigues, 25 anos, passou a Páscoa sem o tradicional almoço em família. Ela foi atropelada no último domingo junto com o filho de três anos e o irmão dentro do Terminal Urbano de Londrina. Márcia não se feriu, mas o filho quebrou o braço e o irmão, de 23 anos, continua internado, também com fraturas. Depois do acidente, a mãe não sabe de onde tirar o dinheiro para as despesas médicas do filho e reclama do descaso da empresa de transporte coletivo, que inicialmente teria prometido auxílio e depois voltou atrás.
O acidente aconteceu por volta das 11h30, quando o grupo estava atravessando uma plataforma pelas laterais e foi atingido pelo ônibus da linha 601, da Francovig. ''O ônibus nos pressionou contra as grades, eu caí mas meu filho e meu irmão foram arrastados e eu fui correndo atrás para avisar o motorista para parar'', afirma Márcia.
Segundo ela, o motorista fez uma ligação telefônica e seguiu viagem. A Polícia Militar também não foi chamada para registrar a ocorrência. Atendidas pelo Siate, as vítimas foram enviadas à Santa Casa de Londrina. Segundo diagnóstico do hospital, Felipe sofreu uma fratura exposta.
No hospital a família recebeu a visita do fiscal de tráfego da Francovig. ''Ele me aconselhou a internar o Felipe no (setor) particular porque a empresa tinha um seguro que cobria até R$ 1,5 mil em despesas médicas e disse que ia ajudar a encaminhar a papelada no dia seguinte'', afirma.
Na segunda-feira, quando o filho recebeu alta, veio junto a conta, R$ 490 pela consulta e internação. ''Tive que dar um cheque do meu irmão para cobrir e pedimos um prazo de trinta dias para correr atrás do seguro, só que hoje (ontem) meu irmão já foi atrás da Francovig e o fiscal não quis recebê-lo'', afirma.
Além disso, o menino ainda terá que passar por novas consultas e precisa tomar medicamentos. ''Eles me passaram uma receita de R$ 80 que eu não vou comprar, estou desempregada, meu irmão já deu um cheque e não tenho de onde tirar, acho que fomos tratados com descaso'', reclama.
A Francovig informou, através de um comunicado divulgado pela assessoria de imprensa, que o funcionário que foi até o hospital apenas informou a família sobre a existência do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais causados por Veículos Automotivos de Vias Terrestres), o seguro obrigatório.
A empresa também se exime de culpa no acidente alegando que os pedestres estavam em local proibido, onde os motoristas costumam fazer manobras e, por conta do ponto cego, há risco. Contudo, o Boletim de Ocorrência lavrado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) deixa claro que o ônibus avançou com as rodas sobre o meio-fio da plataforma, o que também não é permitido.

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