Indignação foi a palavra usada pela conselheira tutelar de Londrina, Rita Bastos, para resumir seu sentimento em relação aos maus tratos sofridos por uma adolescente portadora de deficiência mental. Segundo a conselheira, os vizinhos da família de J.C.S., 13 anos, afirmam que a adolescente é constantemente amarrada e espancada pelo pai e irmã mais velha. ''Eles disseram que só chamaram a gente porque a polícia nunca fez nada'', completou.
Rita recebeu a denúncia no último dia 3 e, no momento, está preparando um relatório sobre o caso que enviará à Promotoria da Vara da Infância e Juventude. Ela afirma que quando esteve na casa da garota ela chorava muito e estava com os braços vermelhos. ''Os vizinhos dizem que a mãe trabalha fora e o pai é alcóolatra, bate nela e na menina''. Com base nessas declarações, a conselheira conseguiu a instauração de um inquérito policial contra ele e a filha A.C.S., 21 anos, que é a responsável pela casa quando os pais estão fora.
Ontem, a reportagem da Folha esteve no bairro onde mora a família, mas nenhum dos vizinhos encontrados quis comentar o assunto. A. confirmou que a irmã é amarrada quando entra em surto, mas negou o espancamento. ''Se não fizermos isso, ela bate nas crianças e vai para a rua jogar pedra nos carros'', explica. Rita afirma que há quase seis meses J. deixou de frequentar a Associação de Pais e Amigos dos Expecionais (APAE) e não recebe o tratamento psicológico adequado. ''Se isso acontecesse, as crises de violência poderiam, pelo menos, ser controladas''.
Embora o número de denúncias que cheguem à Justiça sejam poucos, a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina de Paula, acredita que haja muito mais. ''Numa situação extrema os pais podem até perder o pátrio poder sobre o filho'', adianta.

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