Família doa órgãos de rapaz baleado
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terça-feira, 16 de julho de 2002
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O auxiliar de serviços gerais Ataíde de Almeida, 21 anos, faleceu ontem pela manhã, vítima de um ferimento na cabeça provocado por um disparo de arma de fogo, na noite de domingo, no Jardim Sabará (zona oeste de Londrina). A família autorizou a doação de órgãos. O rapaz será sepultado às 10h30 de hoje, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte). Ele é a 69 vítima de morte violenta este ano em Londrina. Em apenas uma semana, foram registrados quatro homicídios no município.
Segundo informações repassadas pela regional da Central de Transplantes, foram retirados as córneas, o coração, o fígado e os rins. O coração deveria ser transplantado em um paciente da região e o fígado seguiu para um receptor em Curitiba. Até o fechamento desta edição, a equipe da regional da Central de Transplantes avaliava possíveis receptores para os rins.
Visivelmente nervosa, a autora do disparo, a babá Cristiane de Almeida, 18 anos, conversou ontem com a Folha e alegou que o disparo foi acidental. Ela foi detida em flagrante pela polícia e permanece presa na carceragem do 2º Distrito Policial.
Cristiane disse que já havia saído algumas vezes com Ataíde, mas não eram namorados. No domingo, ela teria encontrado com o auxiliar numa boate da Avenida Leste-Oeste e, de lá, seguiram com alguns amigos até uma lanchonete do Jardim Sabará.
Os dois, segundo ela, resolveram dar uma volta sozinhos. Ao entrarem no Chevete da vítima, Cristiane disse que o rapaz lhe mostrou o revólver e pediu para que ela segurasse. ''Ele falou que a arma não estava engatilhada e eu não sabia que tinha bala'', relatou. Já com o carro em movimento, Cristiane afirmou que a arma disparou acidentalmente e atingiu a cabeça de Ataíde.
Ainda de acordo com a babá, o rapaz tombou sobre ela e o carro subiu no canteiro da Rua Waldomiro Ferreira da Costa, nas proximidades da lanchonete. Ao perceber que Ataíde tinha sido baleado, Cristiane disse que entrou em pânico e a primeira coisa que fez foi pedir socorro aos amigos que tinham ficado na lanchonete. O Siate e a Polícia Militar foram chamados e o auxiliar foi levado para o Pronto Socorro da Santa Casa.
''Não foi minha culpa. Eu não tinha motivos para fazer isso e jamais faria uma coisa dessas'', assegurou. Segundo ela, das outras vezes em que os dois se encontraram, Ataíde nunca lhe mostrou nenhuma arma. ''Só soube que ele estava armado depois que a gente saiu do bar'', afirmou. ''Estou apavorada e tudo isso parece um pesadelo.''
O tio de Ataíde, Aparecido Dias Monteiro, disse que a família, que mora no Jardim Novo Bandeirantes, em Cambé (13 km a oeste de Londrina), não tinha conhecimento de que o rapaz possuía o revólver e nem que conhecia Cristiane. Ataíde trabalhava há cinco anos numa clínica médica. ''A família está muito abatida e não consegue explicar o que aconteceu. Nós pensamos que foi um acidente'', disse.


