Paulo WolfgangFamíliaOs pais do pedreiro: doação de órgãos na hora mais difícilA Central Regional Norte de Transplantes (CRNT), da Secretaria Estadual de Saúde, conseguiu na noite de anteontem em Londrina a primeira doação de órgãos de paciente com morte encefálica - parada do tronco central do cérebro - desde a entrada em vigor, no dia 1º de janeiro, da nova lei federal que tornou todas as pessoas doadoras compulsórias. A doação do coração, fígado, rins e córneas foi feita com autorização da família do pedreiro Aparecido de Oliveira Batista, 22 anos, que morreu na quinta-feira vítima de traumatismo craniano provocado por um acidente de motocicleta ocorrido no dia anterior.
Paulo WolfgangAparecido Batista: morte em acidente
A retirada dos órgãos durou quatro horas e foi realizada na manhã de ontem no Hospital Evangélico (HE), onde Aparecido Batista estava internado em coma profundo desde quarta-feira. Por problemas de falta de receptor em condições de transplante em Londrina e do mau tempo em Curitiba - os aeroportos estavam fechados para pousos - não foi possível usar o coração e o fígado. Os dois órgãos acabariam se perdendo se não fossem transplantados em 6 horas.
Foram aproveitados as duas córneas - que seriam transplantadas ainda ontem no próprio HE -, as quatro válvulas cardíacas e os dois rins, que foram transferidos para a Santa Casa de Curitiba até que a Central Estadual de Transplantes defina, nos próximos dias e depois de exames laboratoriais, quais receptores da fila de transplante receberão os órgãos. Os tranplantes dos rins - que têm na fila cerca de 40 receptores potenciais - devem ser realizados até 48 horas depois da retirada, ou seja até a manhã deste domingo. As válvulas do coração podem ser usadas no prazo de uma semana.
Paulo WolfgangTamar: ‘Doar é ato maravilhoso’
As duas córneas seriam transplantadas, ontem à noite, por uma equipe chefiada pelo oftamologista Osman Ferraz. Os beneficiados seriam a comerciária Tamar Lukaszewincz, 34 anos, e Claudio Prata, 46 anos. Ambos sofrem de ceratocone - deformidade da córnea - e esperam por uma doação desde 1981. ‘‘Fiquei muito emocionada com o telefonema da Central de Transplantes dando a notícia de que havia conseguido a doação. Fui pega de surpresa, apesar de estar esperando há tantos anos, e fiquei meio nervosa e feliz ao mesmo tempo’’, comentou Tamar na tarde de ontem, já se preparando para os exames de rotina pré-cirúrgica no HE.
Casada e moradora de Arapongas (37 km a oeste de Londrina), ela sofre de ceratocone - uma doença hereditária - desde os 15 anos de idade. A córnea doada pela família de Aparecido Batista será transplantada para o olho esquerdo de Tamar Lukaszewincz, que mesmo com o uso de lentes só recuperava 20% da visão. ‘‘Quero agradecer à família doadora, que mesmo na dor da morte soube reconhecer a importância da solidariedade e o ato mavarivolhoso que é a doação.’’

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