Paulo Ubiratan
De Londrina
A família de Leandro Mendonça Roncon, 14 anos, morto em acidente de trânsito na terça-feira da semana passada, fez a doação dos órgãos do garoto. Mas somente ontem os pais, Lucelena Mendonça Roncon e Hermínio Roncon, decidiram anunciar o fato. O acidente aconteceu em Cambé (13 km a oeste de Londrina).
No início, a família não quis falar sobre o assunto. Mas o casal voltou atrás, contando que a doação ajudou a aliviar a dor diante da tragédia de perder o filho.
‘‘Em princípio não queríamos falar sobre a doação. No entanto, descobrimos que estávamos sendo egoístas. Depois de uma reflexão profunda sentimo-nos na obrigação de conclamar a todos que tenham a possibilidade de doar órgãos, que o façam. Isto reveste-se de um ato de amor muito grande e posso garantir que ajudou a aliviar a minha dor pelo desaparecimento de um jovem que era parte de meu ser’’, disse emocionada Lucelena Roncon.
‘‘Senti que fui muito feliz nos 14 anos que vivi junto com Leandro. Ele somente me deu alegria. No entanto, a gente não é dono do destino de ninguém. O que me alivia um pouco foi poder ver que meu filho até na morte foi útil. Meu desejo agora é poder conversar com os que receberam seus órgãos’’, desabafou o pai.
Leandro era o filho caçula do casal Roncon. Os outros filhos são Fabiana, 16 anos, e Marcelo, 21 anos. Segundo Hermínio, entre eles havia conversas sobre doações de órgãos e Leandro, brincando, sempre afirmava que doassem seus órgãos caso ele morresse. A tia de Leandro, Tânia Márcia Mendonça, disse que há dois anos um outro sobrinho morreu vítima de um acidente no interior de uma piscina e que também doou todos os órgãos. ‘‘Esta tragédia nos ajudou a ser desprendidos para doar os órgãos de Leandro’’, afirmou a tia.
Leandro morreu 24 horas depois de bater sua mobilete contra uma motocicleta. O motoqueiro Valter Amorin de Oliveira sofreu ferimentos médios. O acidente aconteceu perto da casa dos Roncon, na Rua Monte Castelo, 30, no Jardim Universo. Fabiana foi quem primeiro socorreu o irmão. Ele foi levado para a Santa Casa de Cambé em estado de coma e depois foi transferido para a Santa Casa de Londrina, onde foi constatada a morte cerebral.
Conforme a chefe da Central de Transplantes da Região Norte, Elza de Lara, as válvulas cardíacas, o fígado e os ossos de Leandro foram transplantados em receptores cadastrados em Curitiba. As duas córneas e os rins foram para moradores da região Norte. Elza Lara disse que somente depois de seis meses é que o pai de Leandro poderá conhecer os receptores.

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