Família doa órgãos de estudante morto
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quinta-feira, 11 de setembro de 1997
Londrina 
André Lopes Faria tinha 14 anos de idade e estudava na 8ª série de um colégio particular. Filho de Vera Virgínia Lopes e José de Faria - gerente de atendimento da Copel -, o estudante nunca teve problemas de saúde mais sérios. Na tarde de terça-feira, ele estava nadando na piscina de um clube quando sofreu um aneurisma - rompimento de artéria - no cérebro.
Depois de passar pela Santa Casa, ele foi transferido para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Evangélico (HE) às 22 horas, já em coma profundo e irreversível. André morreu na manhã de anteontem, e foi sepultado na tarde de ontem, no Cemitério Parque das Oliveiras. Familiares e centenas de amigos - notadamente estudantes - acompanharam emocionados o velório e sepultamento.
Mesmo sob estado de choque pela morte imprevista, a família se prontificou a doar todos os órgãos de André que pudessem ser transplantados para doentes que esperam na fila. Apenas concretizamos uma vontade de André, que apesar de jovem já tinha consciência da importância da doação. Compreendemos o sofrimento de milhares de pessoas que esperam, às vezes por anos, por órgãos que possam lhes garantir a vida, comenta José de Faria.
A médica-chefe do CTI do Evangélico, Rosimeiry Kemmer Souza, explica que foram aproveitados o fígado, as duas córneas, o coração e os dois rins. O fígado foi encaminhado para Curitiba pela Central de Doação de Órgãos do Paraná.
O coração foi levado para São Paulo, onde as válvulas serão utilizadas em transplantes. As córneas ficaram em Londrina juntamente com o rins, que ontem mesmo foram transplantados no próprio HE.
Fazer a doação de órgãos, nesta situação de extrema dor pela perda de um filho, é uma atitude louvável, de imenso amor pelo próximo, avalia a chefe do CTI do Evangélico, para quem Londrina não conta ainda com uma estrutura adequada de captação de órgãos doados. André era o filho mais velho do casal Vera e José de Faria, que têm ainda Guilherme (13 anos) e Luciellen (8). O pai diz: Perdemos o André, a nossa dor é grande, mas nos conforta saber que partes dele serviram para dar continuidade à vida a outras outras pessoas. É como se ele prosseguisse vivo entre nós.
(Osmani Costa)


